BNDES: (in)Feliz Aniversário!:

Hoje, 20 de Junho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comemora 54 anos de existência. Na teoria, o BNDES tem como objetivo “apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. Desta ação resultam a melhoria da competitividade da economia brasileira e a elevação da qualidade de vida da sua população”. Será que este objetivo está sendo de fato implementado?

Ao menos dois - entre tantos outros - fatos recentes, diretamente relacionados às operações do BNDES, comprovam que “a elevação da qualidade de vida da população” está sendo colocada em segundo plano pelas sucessivas diretorias do banco. Vamos aos fatos:

Maio de 2006: a América Latina Logística (ALL) compra a Novoeste e a Brasil Ferrovias (formada pela Ferroban e Ferronorte) por R$ 1,405 bilhão. O BNDES adere à operação de incorporação da Brasil Ferrovias pela ALL. Através desta operação, o BNDES recebe ações da ALL - negociadas na Bovespa – que passa a ser a maior operadora de logística ferroviária da América Latina. A BNDESPAR passa a deter 12,77% do capital total da nova ALL.

Junho de 2006: América Latina Logística inicia processo de reestruturação: demite 35% do quadro de funcionários, cerca de 1.500 trabalhadores, das duas empresas sediadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo a Regional do Sindicato dos Ferroviários do Estado de São Paulo, o número de demissões já ultrapassa 2.000.

Outro fato similar, também ocorrido neste primeiro semestre de 2006, foi a aprovação do financiamento de R$ 497,1 milhões pelo BNDES para a Volkswagen do Brasil. Um mês após a divulgação deste financiamento, em maio, a empresa anunciou seu plano de reestruturação que prevê a demissão de aproximadamente 6.000 empregados, 25% do quadro de trabalhadores, em dois anos. Conforme a empresa estas demissões estão relacionadas à valorização do real frente ao dólar e ao euro, o que teria prejudicado as exportações do grupo.

Dados como este comprovam que o BNDES não está cumprindo com boa parte da sua responsabilidade social. Para agravar ainda mais a situação social e, também ambiental, o banco vêm financiando diversas empresas brasilerias envolvidas nos projetos de infra-estrutura física nos países sul-americanos dentro do rol da Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA) sem sequer contar com uma política de informação pública e de salvaguardas ambientais.

Elisangela Soldatelli Paim
Jornalista
Núcleo Amigos da Terra / Brasil
Membro da Coordenação Nacional da Rede Brasil sobre IFMs