
Muro revela a rápida diminuição do nível da água
A hidrelétrica de Campos Novos, uma das maiores barragens do mundo (190 metros de altura) construída no Rio Canoas entre os municípios de Celso Ramos (SC) e Pinhal da Serra (RS) pelo Consorcio Campos Novos Energia (Enercan) tem um sério vazamento que vem preocupando a população da região. O vazamento começou em outubro do ano passado mas só agora se tornou público por causa do agravamento da situação a partir do dia 20 desse mês. Até sexta dia 23 o lago deve estar vazio. O problema atingiu um dos túneis de desvio do rio Canoas, provocando redução no nível do reservatório da barragem. De acordo com o Movimento dos Atingido por Barragens (MAB), famílias que habitam a região foram retiradas do local que está sendo inundado. Além do impacto na população, o esvaziamento do lago vai prejudicar também a vida aquática e da flora do local.
UHE do consórcio (do qual fazem parte a Companhia Paulista de Força e Luz, que tem como acionistas o grupo VBC Votorantin, Banco Bradesco e Camargo Correa e a Companhia Brasileira de Alumínio) começou a ser construída em agosto de 2001 e contou com R$ 300 milhões de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e em 2003 com R$ 619 milhões do BNDES. O custo total da obra estava previsto em R$ 1,2 bilhão. As construções foram concluídas no segundo semestre de 2005 mas até agora não começou a funcionar.
Desde o início do projeto, a UHE vem sendo alvo de críticas por parte da sociedade civil. Aproximadamente 300 famílias foram expulsas sem nenhum direito reconhecido. Estudo, realizado pela Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Fatma), órgão licenciador da barragem, reconhece o direito de mais de 90% dessas famílias. Apesar do estudo comprovando a legitimidade das famílias, o Consórcio continua negando os direitos dos atingidos. Entre as denúncias feitas pelo MAB está a prisão de dez lideranças do movimento que já formalizou junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos-OEA, uma denúncia de violação aos direitos humanos dos atingidos por esta barragem.
Os atingidos denunciaram ainda irregularidades na construção da usina como o fechamento das comportas sem autorização da Fatma, início de enchimento do lago durante a noite, sem aviso à população - o que é proibido por lei - e o fechamento da barragem a resolução dos problemas socioambientais.
Rompimento das comportas do túnel causou vazamento
O esvaziamento da barragem se dar por irregularidades e falhas ao longo de todo o processo de construção da obra. Tanto os que constroem, quanto os que financiam tem responsabilidades sobre as consequências de tais obras. Como continuar financiando essas mesmas empresas na construção de outras hidrelétricas? Como continuar apoiando projetos que causam impactos socioambientais irrecuperáveis, que em muitos casos não são economicamente viáveis beneficiando apenas empresas eletrointensivas e grandes construtoras, e que não consideram alternativas energéticas mais sustentáveis? Escândalos em torno da construção de hidrelétricas financiadas pelo BNDES parece que não serviram como lição. Barra Grande vizinha à Campos
Violência da água impressiona
Vista ampliada da Barragem
Novos, por exemplo, está criminosamente alagando florestas de araucárias, omitiu quase 5 mil de hectares de mata atlântica do Estudo de Impacto Ambiental que autorizou a construção da barragem, e ainda não resolveu os problemas sociais. A lista de exemplos é longa. Assim não é de se surpreender que no projeto Eco-Finanças, da organização não-governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira que avaliou em nível internacional as práticas socioambientais de 39 bancos, o BNDES recebeu nota zero!
Assessora Política da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

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