BID nega impactos negativos à população e ao meio ambiente com o vazamento da Usina de Campos Novos:

A Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais enviou várias solicitações de posicionamento sobre o vazamento de água da Usina Hidrelétrica de Campos Novos, no Estado de Santa Catarina, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O BNDES não enviou resposta às enumeras solicitações da Rede Brasil. O BID por sua vez, enviou uma carta negando os impactos negativos à população ou ao meio ambiente. A resposta do BID não condiz com a realidade dos acontecimentos e nem com um comportamento socialmente responsável e transparente que a sociedade civil espera de um instituição multilateral. Famílias que habitam a região foram retiradas do local que foi inundado. Além do impacto na população, o esvaziamento do lago vai prejudicar também a vida aquática e da flora do local, atingindo o meio ambiente.

A sociedade civil exige respostas transparentes, providências e diálogo principalmente com àqueles que são atingidos diretamente pela construção das usinas. A omissão dos acontecimentos pelos bancos financiadores, pelas agências fiscalizadoras e pelas empresas responsáveis pela construção da obra, encobrindo cada vez mais os problemas e impactos socioambientais que é gerado pela construção dessas usinas é irresponsável e inaceitável. Os financiadores esquivam-se na hora de assumir responsabilidades em financiarem obras de grande impacto socioambiental e se perdem nas respostas solicitadas pelas organizações da sociedade civil quanto à acontecimentos catastrófico como o da Usina de Campos Novos. Nesse caso, como em muitos outros, o BID transferiu toda a responsabilidade para as empresas construtoras da obra, assumindo o discurso do seu “cliente” e não atendeu as demandas da sociedade civil.

Desde o início do projeto, a Usina vem sendo alvo de críticas por parte da sociedade civil. Aproximadamente 300 famílias foram expulsas sem nenhum direito reconhecido. Estudo, realizado pela Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (Fatma), órgão licenciador da barragem, reconhece o direito de mais de 90% dessas famílias.

Apesar do estudo comprovando a legitimidade das famílias, o Consórcio (o qual fazem parte a Companhia Paulista de Força e Luz, que tem como acionistas o grupo VBC Votorantin, Banco Bradesco e Camargo Correa e a Companhia Brasileira de Alumínio) continua negando os direitos dos atingidos.

Entre as denúncias feitas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está a prisão de dez lideranças do movimento que já formalizou junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), uma denúncia de violação aos direitos humanos dos atingidos por esta barragem.

Os atingidos denunciaram ainda irregularidades na construção da usina como o fechamento das comportas sem autorização da Fatma, início de enchimento do lago durante a noite, sem aviso à população - o que é proibido por lei - e o fechamento da barragem a resolução dos problemas socioambientais. 1,47 bilhão de metros cúbicos de água vazaram sem controle. O que evitou uma tragédia foi o fato da água vazar aos poucos pelo túnel, e as barragens de Machadinho e Itá estarem baixas devido à seca.

São responsáveis sobre as consequências de tais obras, tanto os que constroem, quanto os que financiam. Como continuar financiando essas mesmas empresas na construção de outras hidrelétricas? Como continuar apoiando projetos que causam impactos socioambientais irrecuperáveis, que em muitos casos não são economicamente viáveis beneficiando apenas empresas eletrointensivas e grandes construtoras, e que não consideram alternativas energéticas mais sustentáveis? Isso o BID não respondeu!