Grupos da sociedade civil protestam contra o governo de Cingapura devido a tentativa de bloquear sua participação em reunião do Banco Mundial/FMI:

Organizações e movimentos sociais de todo o mundo manifestam sua indignação ao posicionamento do governo de Cingapura de proibir a entrada ao país de mais de 20 delegados que pretendem participar das reuniões anuais do Banco Mundial/FMI, de 14 a 20 de setembro. Também condenam as pressões exercidas pelo mesmo governo à administração da localidade vizinha de Batam, na Indonésia, onde será realizado um grande Fórum Internacional dos Povos contra o FMI e o BM na próxima semana, no marco das Jornadas Globais de Ação contra as IFIs que contam com a adesão e participação de centenas de organizações do mundo todo, incluindo América Latina e Caribe. Até o início dessa semana parecia que a realização da conferência não seria possível, mas agora depois de muita pressão internacional, fontes oficiais de Jakarta confirmaram que a permissão foi liberada.

Integrantes de organizações internacionais denunciaram a utilização de listas contendo organizações que não têm autorização para entrar em Cingapura. O italiano Antonio Tricarico da Campanha para Reformar o Banco Mundial disse: “Representantes do governo da Itália em Cingapura se comunicaram comigo para dizer que não vão permitir minha entrada no país porque estou em algum tipo de “lista negra”. Outras organizações que estão proibidas são: INFID (Indonésia), Freedom from Debt Coalition (Filipinas), FOCUS on the Global South (Ásia) - todos os integrantes do Jubileo Sul – e o World Development Movement (RU). Estes são grupos bem conhecidos por seu compromisso com temas relacionados à justiça econômica.

Diante deste fato, Lidy Nacpil do comitê organizador do Jubileu Sul, comentou: “As severas restrições de Cingapura sobre a liberdade de expressão e as reuniões são bem conhecidas. As expressões de surpresa e decepção do FMI e do banco Mundial não podem ser consideradas sérias”. Beverly Keene, da coordenação do Jubileu Sul Americas, enfatizou “a necessidade de ver estes incidentes no contexto dos esforços de pôr fim a impunidade com a qual estes organismos financeiros seguem tomando suas decisões”.

“Há três anos, passamos pelas mesmas dificuldades quando o Banco Mundial resolveu fazer suas reuniões em Emirato do Dubai - diz Sameer Dossani da rede 50 Anos Basta - Parece que os únicos países onde o FMI e o Banco Mundial se sentem seguros são aqueles que não respeitam os direitos humanos e a liberdade civil”.
A pressão da sociedade civil esta semana se deu com o anúncio da proibição do Foro Internacional dos Povos, em Batam, Indonésia, uma ilha à 45 minutos de trem de Cingapura. Os organizadores do evento na Indonésia confirmam que o Foro acontecerá entre os dias 15 e 17 de setembro – dias antes das reuniões oficiais em Cingapura - destacando as atividades públicas, como uma marcha e atividades artístico-culturais.

“Esperamos aproximadamente 1000 participantes de mais de 40 países de todo o mundo. A conferência vai ser um espaço para debater a oposição às políticas econômicas neoliberais promovidas pelo FMI e Banco Mundial; e projetos alternativos de desenvolvimento centrado nos povos” disse Dian Kartikasari da organização do Foro Internacional dos Povos.

Além destas atividades na Ásia, em mais de 80 países de todo o mundo, organizações e movimentos sociais estarão realizando mobilizações entre os dias 14 e 20 de setembro de 2006 como parte das Jornadas Globais de Ações contra o BM e o FMI. Na América Latina e no Caribe já se tem confirmado atividades como a instalação de uma toldo em frente ao Congresso da Nação, na Argentina; a realização de uma Assembléia de Credores da Dívida Histórica, Ecológica e Social, no Equador; e a distribuição massiva de folhetos informativos, na cidade do Rio de Janeiro e São Paulo, entre outros.

Contatos em todo o mundo:

Argentina: Beverly Keene (Jubileo Sur/Américas) +54911-56123195411 43071867
EE.UU: Sameer Dossani (50 Years is Enough): +1202 463-2265
Yakarta: Nadia Hadad (INFID): +62-811-132081
Filipinas: Lidy Nacpil (Jubilee South): +639-1788-00410
Italia: Antonio Tricarico (Campagna per la Riforma della Banca Mondiale) +39 328 84 85 448
Holanda: Longgena Ginting (Friends of the Earth International) +31-642811585
Brasil: Fabrina Furtado (Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais) + 61 – 3321-6108 e Sandra Quintela (Pacs/Jubileo Sur Américas) + 21 – 2507- 9447