Rede Brasil realiza oficina de capacitação com o MAB:

A Rede Brasil realizou uma oficina de capacitação com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no dia 19 de outubro de 2006, em Jaguaretama, interior do Ceará.

A oficina objetivou a capacitação dos membros do MAB com relação as políticas, programas e o funcionamento das Instituições Financeiras Internacionais no Brasil e seus impactos para as populações. Foi realizado uma apresentação do que é a Rede Brasil dando destaque para a atuação do MAB enquanto membro importante da Rede. O trabalho durante a capacitação foi feito com cartilhas sobre IFIs e carteira de projetos do BID e BM no nordeste e principalmente no Ceará.

Durante a capacitação, três grupos foram divididos para discutir os temas colocados sob a forma de perguntas:

  • Qual a política de desenvolvimento destas instituições e quais as consequências?

  • Quais impactos essas políticas trazem para a Via Campesina Nacional e também no nordeste?

  • Quais “ações” podemos fazer para enfrentá-las?

Para responder as perguntas os participantes usaram da criatividade e espontaneidade para exporem o que debateram durante a capacitação e mostrando também os impactos reais do dia a dia das populações atingidas pela construção de barragens, por meio de apresentações teatrais e cantorias.

Dois grupos apresentaram peças teatrais na qual encenaram representações do papel e impactos do Banco Mundial, BNDES, BID e FMI para o país. O primeiro grupo apresentou o trabalho escrito, mostrando a relação entre governo, IFIs e movimentos sociais. Falaram sobre a política de desenvolvimento das IFIs que viabilizam grandes projetos beneficiando o modelo capitalista e os países do Norte – EUA e Europa. Mostraram as consequências da atuação destas instituições, como por exemplo, a perpetuação e o aumento de sem terras, sem moradia, sem saúde e sem educação, a destruição dos rios e do meio ambiente e a expulsão de populações que vivem às margens dos rios , além de aumentar os conflitos envolvendo populações tradicionais e campesinos e a deslegitimação das organizações e criminalização dos movimentos sociais. Para finalizar a apresentação, os participantes sugeriram ações de enfrentamento que se resume em: conhecer profundamente as instituições e estudá-las para poder combate-las; realizar campanha de denúncias com impactos; identificar alternativas que já tem e visibilizar outras; e fazer grandes manifestações, articulando campo e cidade.

O segundo grupo compôs uma música mostrando a realidade do Brasil e da atuação das IFIs, e também apresentou o trabalho por meio de peça teatral, mostrando as políticas promovidas pelas IFIs através das condicionalidades aos empréstimos - privatização, Parcerias Público-Privadas, Superávit Primário, Flexibilização, Redução de gastos sociais e Estado Mínimo. O grupo mostrou também as consequências da política destas instituições, como por exemplo, o endividamento, a fome e o desemprego, e sugeriu como ações para combater atuações destas instituições a formação, mobilização e a ação direta dos movimentos sociais.

O terceiro grupo apresentou também uma peça de teatro mostrando as conseqüências-resultados de duas reações diferentes frente à oferta de empréstimos por parte das Instituições Financeiras Multilaterais. Empréstimos cujos alvos podem ser países em desenvolvimento, camponeses, consumidores comuns etc. A dinâmica mostrou também o papel da imprensa mundial ou nacional no julgamento dessas parcerias, as pressões cometidas pela imprensa nos receptores destes empréstimos, a favor ou contra eles.

No final da oficina, o MAB propôs a realização de um evento de formação sobre as IFIs de três ou quatro dias para a Via Campesina, em Fortaleza (CE).

Rede Brasil visita canal de integração no interior do Ceará
Durante a oficina de capacitação com o MAB, a Rede Brasil visitou a Barragem do Castanhão, no interior do Ceará, que contou com o financiamento do BID. O Movimento dos Atingidos por Barragem protestou contra a construção do açude e seus impactos sócioambientais, devido a vários problemas que a obra apresentou. Para essa população, o Castanhão trouxe o sofrimento, a fome e a miséria ao povo do campo e da cidade por ele atingido. O deslocamento de aproximadamente 4 mil famílias, o alagamento de 68 mil ha. de terra produtiva, a destruição da cidade de Jaguaribara, a perda de laços sociais e familiares e o gigantesco impacto ambiental sobre o ecossistema local, notadamente, no leito do Rio Jaguaribe não justificam o enorme dispêndio de dinheiro público nesta obra. “O desrespeito à legislação ambiental brasileira é evidente. Mais que os impactos já denunciados em todos esses anos sobre o leito do rio, hoje vemos a poluição da água, a morte de peixes e a perda da vegetação, impactando o já fragilizado ecossistema local, com graves danos sobre a fauna e a flora. Queremos água para a vida. Não para a morte!?”

Veja a letra da música apresentada pelo segundo grupo

O presidente pelego

Mamãe vou ser agora presidente
garanto que vou me candidatar
do jeito que tá sei mentir bastante
junto com o FMI o Brasil vai melhorar

Pra quem me apoiar eu dou abraço
E o Banco Mundial vai dá dinheiro pra ajudar
E vai ficar tudo do mesmo jeito
Se eu ganhar pra presidente vai ser um Deus- nos- acuda.

É o Brasil endividado e o povo vivendo mau
mas quando a coisa ficar preta vou ao Banco Mundial e faço aquele carnaval.

Aplico mais na bolsa renda
e digo que o povo merece
de cem, salto pra quinhentos, aumento mais quatrocentos, só a nossa dívida cresce.

Aí o povo esquece tudo
E no embalo desse som
o Brasil fica feliz
ainda tem gente que diz
Êta presidente bom!

Abel Francisco Andrade
Jaguaretama – 19/10/2006