Introdução
O
termo integração internacional tem sido comumente
relacionado aos acordos comerciais e de cooperação para
os investimentos estrangeiros como face absoluta de um movimento
natural e inexorável de intercâmbio econômico
entre as nações. Com a propagação dessa
visão obtusa, foi possível nas últimas décadas
fomentar a idéia da necessidade da abertura comercial e da
livre mobilidade de capital, mas, ao mesmo tempo, da urgência
da integração regional. Aparentemente paradoxais esses
dois movimentos propostos encerram uma das faces das contradições
do capital na atualidade. O que se pretende com este texto é,
em desnudando a natureza desse esforço de integração
econômica e alguns de seus efeitos sobre o mundo do trabalho,
apresentar alguns de seus mecanismos de mistificação: a
idéia de que a integração regional proposta é
a melhor maneira de atender a todos os interesses em jogo.
Uma
pergunta que motiva essa discussão é saber se os
acordos bilaterais e multilaterais que o governo brasileiro tem
realizado têm efetivamente se voltado, ou não, para a
redução da superexploração do trabalho no
Brasil e na região latino-americana. Outra questão
seria avaliar em que medida as agências oficiais de fomento no
Brasil estão orientando suas linhas de financiamento para
reafirmar os projetos de manter ou até de ampliar as relações
de subordinação do país, no sentido de sua
consolidação como nação produtora de
matérias-primas para exportação. Numa outra
linha, um problema também primordial seria saber se as atuais
orientações estratégicas das empresas públicas
e dos bancos oficiais, nos investimentos diretos ou no financiamento
de investimentos de terceiros no exterior, consolidam as linhas
tradicionais da função subimperialista do Brasil,
especialmente na América Latina.
Olhando a história
recente do país, dos últimos treze anos, parece ficar
nítido que as posições oficiais estão
longe de questionar a legitimidade dos contratos e dos acordos
multilaterais que cumulativamente vêm construindo a atual
situação de subordinação internacional.
Muito ao contrário, tudo que se houve e se lê sobre as
relações internacionais do Brasil apontam para a
promoção de boas relações com as nações
dominantes, reafirmando todos os contratos e os acordos celebrados
nas reuniões de cúpulas, bem ao gosto dos planos
traçados pelas agências multilaterais (BM, BID e FMI),
controladas diretamente pelos Estados Unidos.
Este artigo
procura apresentar esse debate focando a atenção na
posição assumida por empresas estatais brasileiras na
execução da Iniciativa para la Integragración
de la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA). A IIRSA é
orientada e financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) e por outras instituições multilaterais, tendo o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
no Brasil, como principal plataforma regional de fomento. O objetivo
da IRRSA é a integração física da América
do Sul visando à realização dos Tratados de
Livre Comércio (TLC) orientados pelos Estados Unidos. Seus
principais instrumentos vinculam-se à articulação
de interesses de grandes empresas multinacionais de óleos
combustíveis e gás natural, de energia elétrica,
de telecomunicações e de construção
(barragens, hidrovias, rodovias, ferrovias etc.).
O texto está
organizado em quatro partes. Primeiro, aborda as propostas
imperialistas de integração internacional e sua relação
com a necessidade da superexploração do trabalho nos
países dependentes, como resultado da exigência de
compensação aos empreendimentos exportadores,
desfavorecidos pela degeneração dos termos
internacionais de troca. Na seqüência trata da posição
adotada pelas empresas estatais brasileiras, com especial atenção
para os projetos de infra-estrutura (Transporte, Energia e
Telecomunicação), envolvendo grandes volumes de
recursos públicos para a promoção de
investimentos privados voltados para as propostas de integração
e de realização dos tratados de livre
comércio. Nas duas últimas partes do texto são
abordadas as condições políticas internas para a
sustentação no Brasil das propostas imperialistas de
integração regional, inclusive com uma breve avaliação
da posição assumida por lideranças sindicais,
procurando apurar a possibilidade de se formular e realizar
alternativas para uma outra integração.
O
controle imperialista
Do que consistem os movimentos de
liberalização com integração regional na
América Latina? A formação de grandes blocos
comerciais significa, na verdade, a proteção do capital
organizado nas grandes potências mundiais, em ferrenha
competição, num contexto em que as agências
multilaterais controladas por essas mesmas nações
pregam o livre comércio e a ausência de controle sobre
fluxos de capital, especialmente nas relações
internacionais dos países dependentes. Em outras palavras,
todo o esforço de integração é imposto
pela necessidade de controle dos movimentos do capital pelas
potências imperialistas, mas, que não pode aparecer como
tal. Não se trata de promoção do livre comércio,
mas, tem que aparecer como se fosse, no sentido de legitimar
politicamente as conseqüências dos esforços de
integração e toda a hierarquia de subordinações
que os acordos de cooperação impõem.
Contudo,
não se trata apenas do controle imperialista sobre os fluxos
de comércio e de investimentos, mas, da disputa pelo comando
de todo o processo de acumulação. Isso significa
controlar de forma centralizada a divisão internacional do
trabalho, controlando o processo de difusão tecnológica
o que, por si, impõe um regime de monopólio da
produção, determinando limites para que os países
tardiamente industrializados produzam bens e serviços de alta
tecnologia, mantendo-os apegados ao processamento de insumos
industriais em larga escala e à produção
industrial em regime de maquilagem (a simples montagem de kits
pré-fabricados). Mas, parece nítido que esse regime de
desenvolvimento desigual não é mantido à
força:
“De fato, à medida que o mercado
mundial alcança formas desenvolvidas, o uso da violência
política e militar para explorar as nações
fracas se torna supérfluo e a exploração
internacional pode descansar progressivamente na reprodução
de relações econômicas que perpetuam e ampliam o
atraso e a debilidade dessas nações” (MARINI, 2000:
119).
Não se trata de um processo simples este de
manter a acumulação capitalista sob bases econômicas
tão desiguais. O monopólio da produção de
determinados bens e serviços implicam consequentemente no
intercâmbio desigual e, inclusive, na deterioração
cumulativa dos termos de troca entre as nações em
desfavor daquelas tardiamente industrializadas.
“[...] o
mero fato de que umas produzem bens que as demais não
produzem, ou não o podem fazer com a mesma facilidade, permite
que as primeiras eludam a lei do valor, isto é, vendam seus
produtos a preços superiores a seu valor, configurando assim
um intercâmbio desigual. Isto implica que as nações
desfavorecidas devam ceder gratuitamente parte do valor que produzem.
E que esta cessão ou transferência se acentue em favor
daquele país que lhes vende mercadorias a um preço de
produção mais baixo, em virtude de sua maior
produtividade. Neste último caso, a transferência de
valor é dupla, mesmo se não necessariamente apareça
assim para a nação que transfere valor, já que
seus diferentes provedores podem vender todos a um preço, sem
prejuízo de que os lucros se distribuam desigualmente entre
eles e que a maior parte do valor cedido se concentre em mãos
do país de produtividade mais alta” (MARINI, 2000: 121).
A
forma mais eficiente de manter esse processo de acumulação
diferenciada é compensar o capital que opera nas nações
dependentes com mecanismos políticos e ideológicos que
vão permitir a superexploração do trabalho.
“O
que aparece claramente, então, é que as nações
desfavorecidas pelo intercâmbio desigual não buscam
tanto corrigir o desequilíbrio entre os preços e o
valor de suas mercadorias exportadas (o que implicaria num esforço
redobrado para aumentar a capacidade produtiva do trabalho), mas
compensar a perda de renda gerada pelo comércio internacional,
através do recurso a uma maior exploração do
trabalhador” (MARINI, 2000: 122).
Posto dessa forma é
possível compreender que o controle imperialista dos
movimentos do capital acaba regulando as diferentes taxas de
exploração. Garantem-se, assim, as condições
para a apropriação centralizada da mais-valia produzida
em cada país. A elevação da produtividade nos
países exportadores de matérias-primas promove as
condições para a redução dos custos de
produção nas grandes potências industriais: seja
diminuindo os preços dos alimentos e de alguns outros bens de
consumo das classes trabalhadoras, proporcionando a produção
de mais-valia relativa; seja reduzindo os preços dos insumos
industriais. Tomado como um todo, esse sistema de relações
internacionais exige a superexploração do trabalho, no
sentido de compensar a redução das taxas de lucros
daquelas empresas exportadoras que não conseguem colocar no
mercado internacional suas matérias-primas com preços
mais vantajosos, quando comparados aos preços dos bens e
serviços produzidos nas nações completamente
industrializadas.
As propostas de integração em
curso estão assim inseridas nesse processo de apropriação
de riquezas produzidas em todo o globo por um número reduzido
de blocos de capital. Assim, a competição pelo controle
sobre os processos de integração regional significa
garantir a apropriação pelos blocos de capital, que se
organizam em cada uma das grandes potências do capitalismo
mundial, de um volume maior das riquezas produzidas nos territórios
nacionais subordinados. Mas, isso não é tudo.
A
superexploração do trabalho exigida pela competição
internacional foi sendo exacerbada ainda mais na medida em que o
capital especulativo foi assumindo um papel dominante nas decisões
políticas e econômicas em nível mundial. Cada vez
mais, nos últimos trinta anos, o capitalismo mundial foi
reproduzindo uma grave crise estrutural, onde os níveis de
investimentos são relativamente baixos e a transferência
do comando da riqueza produzida no globo, via especulação
financeira, impõem um novo regime de acumulação.
Essas operações especulativas são abastecidas
continuamente pelas dívidas públicas das mais diversas
nações do planeta, a partir do pagamento de juros, que
concorrem com grande vantagem com as demais despesas dos orçamentos
dos respectivos Estados nacionais, reduzindo, assim, a capacidade de
autofinanciamento de políticas públicas, com destaque
para os gastos sociais. Em países como o Brasil, por exemplo,
os juros crescentes são pagos com parcelas significativas dos
impostos cobrados direta e indiretamente das camadas assalariadas,
que vêem seus salários suprimidos por uma carga
tributária agigantada nas últimas décadas.
Mas
a superexploração provocada pelo financiamento da
especulação possui outras faces. Cabe destacar que, na
medida em que cortam os gastos públicos com educação,
saúde e previdência, por exemplo, para garantir o
pagamento de juros da dívida pública, as camadas
trabalhadoras são forçadas a financiar diretamente com
seus salários os serviços negados pelo Estado, a partir
das mensalidades que pagam às redes particulares de ensino,
aos planos de saúde e aos fundos de previdência
complementar. Ou seja, a formação e a qualificação
do trabalho, bem como a proteção social, também
passam a ser financiadas diretamente pelos salários das
famílias trabalhadoras, com o afastamento gradativo da
participação do Estado, que falha inclusive na
regulação da qualidade desses serviços
privados.
Trata-se, assim, de um modelo que se alimenta por si
e as propostas oficiais de integração física e
comercial se inserem nesse processo. Os acordos pela renegociação
das dívidas dos países dependentes acabam na
reafirmação dos projetos de integração
regional impostos pelos países credores, gerando um
encadeamento hierárquico de subordinações. Tudo
isso é disputado politicamente em nível internacional e
cada vez menos as nações devedoras tem condições
de garantir algum nível de soberania em suas decisões
internas sobre políticas macroeconômicas e sobre as
políticas de desenvolvimento, o que exige o afastamento de
seus governantes cada vez mais das bases nacionais que os elegeram.
São raros os casos em que lideranças populares eleitas
para os maiores cargos das nações dependentes conseguem
enfrentar esse sistema de integração subordinada e se
voltar para reduzir a superexploração das classes
trabalhadoras de seus países.
Instrumentos da
subordinação
O neoliberalismo alterou a
forma como o Estado brasileiro cumpre a sua tradicional função
subimperialista na América Latina. Bem adequados às
estratégias traçadas pelas agências multilaterais
(FMI, BM, BID etc.) controladas pelos Estados Unidos, as empresas
estatais brasileiras ganham uma nova dimensão no novo arranjo
geopolítico que envolve os planos de integração
regional das Américas. Nos últimos anos uma parcela
interessante dos movimentos sociais brasileiros passou a se empenhar
no estudo dessas relações do aparato estatal na
consolidação dos tratados de livre comércio,
especialmente a partir da formação da Rede Brasil sobre
Instituições Financeiras Multilaterais
(www.rbrasil.org.br). O trabalho desenvolvido em rede tem trazido
para um público afastado da aridez do debate das relações
internacionais a oportunidade de conhecer mais de perto as relações
das empresas estatais brasileiras na consolidação da
Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Mais
que isso, essa proposta de investigação compartilhada
pelos movimentos sociais pode potencializar ainda mais a formulação
de propostas alternativas de integração regional.
Essa
nova abordagem do problema contribui para uma visão afastada
daquela apresentada nas propagandas sobre a promoção do
livre comércio. Tem sido possível perceber, por
exemplo, que a subordinação da política externa
de países como o Brasil aos planos definidos nas agências
internacionais de fomento determina um quadro de transferência
de riquezas com base no extrativismo dos recursos naturais, na
superexploração do trabalho e na degradação
ambiental, com repercussões dramáticas sobre a vida
social. Aprofundando as investigações observa-se que as
iniciativas para a integração das Américas,
propostas pelas agências multilaterais, estão
articuladas pela intervenção de várias
instituições, no sentido de criar as condições
para uma divisão internacional do trabalho, controlada pelas
nações do centro imperialista, assentadas nos seguintes
eixos básicos:
a)A base da intervenção
está planejada numa agenda de integração física,
infra-estrutural, centrada em grandes projetos de transporte
multimodal, energia e telecomunicações, que permita a
livre circulação de mercadorias entre vários
pontos do território latino-americano, numa rede de
inter-relações voltada para a produção de
insumos básicos e para a montagem de produtos finais
pré-fabricados e destinados à exportação;
b)
Fomento aos investimentos privados, especialmente, na produção
siderúrgica e mineral, assim como na produção de
alimentos e insumos básicos controlados pelas multinacionais
do agronegócio exportador (celulose, soja, entre
outros);
c)Controle sobre a Amazônia e demais florestas
tropicais, que possuem reservas hídricas, grande
biodiversidade e importantes jazidas minerais.
Nesse contexto,
os movimentos sociais organizados em rede estão desnudando a
IIRSA e qualificando-a como um dos planos mais audaciosos colocados
em marcha com financiamento multilateral. Para a militância da
Rede Brasil, a IIRSA seria a versão sul-americana do
Plano Puebla Panamá (PPP), aquele colocado em prática
com vistas à integração infra-estrutural da
América Central e, com sua realização, estaria
sendo consolidada a integração física
fundamental para os tratados de livre comércio e para a
formação definitiva da ALCA no longo prazo. O PPP foi
anunciado em fevereiro de 2001, para abranger cerca de nove estados
mexicanos (Campeche, Chiapas, Guerrero, Oaxaca, Puebla, Quintana Rôo,
Tabasco, Veracruz, e Yucatán) e mais sete países da
América Central (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala,
Honduras, Nicarágua e Panamá). Tal posição
tem sido compartilhada por movimentos sociais de outros países
da região, como pode ser observado numa entrevista recente da
colombiana Margarita Florez, do Instituto Latinoamericano de
Servicios Legales Alternativos:
“Um papel outorgado
pelos governos, em especial órgãos bancários
regionais e sub-regionais, para financiar o que se chama integração.
A integração, até agora, está calcada,
principalmente, em projetos de infra-estrutura, como o Plano Puebla
Panamá. É um processo desenvolvido entre governos e
instituições multilaterais. Há pouca
participação da sociedade civil, não temos
acesso a informações completas. As instituições
multilaterais têm que alocar seu dinheiro, os governos querem
fazer as suas obras; há grande ambição no
desenvolvimento com base nas grandes obras. Há o discurso de
que as obras, por si só, irão colaborar para o
crescimento. Talvez não haja uma integração, mas
uma conexão de alguns lugares da região. Há
apenas o discurso de integração. O que pedimos é
mais transparência nas decisões de investimentos das
instituições multilaterais. Esses investimentos geram
maior dívida externa, por exemplo. [...] O atual governo
colombiano está desenvolvendo um plano para unir o Plano
Puebla Panamá com a IIRSA. Ele é visto como uma fonte
de desenvolvimento. O governo aposta que devemos, por nossa posição
estratégica, ser a porta da América do Sul frente à
América Central. Sei que há um departamento no BID que
se encarrega do Plano Puebla Panamá e que o plano tem recebido
muitas críticas do movimento popular da América
Central, o que tem gerado obstáculos ao seu avanço.”
(IBASE, 2006).
Um material gráfico elaborado pela Rede
Brasil para militantes dos movimentos sociais também
reflete a dimensão da IIRSA neste momento estratégico
de definições sobre o futuro da América
Latina:
A IIRSA seria implementada dentro de uma nova
concepção de integração regional
denominada pelo BID de “novo regionalismo”, baseado no mercado
externo, com as seguintes características: abertura para os
mercados mundiais; promoção da iniciativa privada; e a
retirada do Estado da responsabilidade com a atividade econômica
direta. Para esse novo regionalismo se concretizar fazia-se
fundamental um continente com sua infra-estrutura física
integrada (SAID, 2005: 33).
A construção/integração
de modais de transportes terrestres, aéreo e hidroviário
está entre os planos mais controvertidos da IIRSA por seu
impacto local e por sua abrangência dentro das concepções
da América do Sul como uma grande plataforma de exportações.
Os principais objetivos da integração multimodal dos
transportes é a criação de corredores de
exportação de alta eficiência, gerando um
encadeamento da logística de transportes junto aos clusters
exportadores. A proposta de interconectar vários dos
principais rios latino-americanos está entre as mais ousadas
dentro da IIRSA, pois, significa abrir uma rota de navegação
desde o Orinoco, passando pela Amazônia, até a Bacia do
Prata. Tal perspectiva está combinada com a construção
de grandes represas hidrelétricas na Amazônia, criando,
assim, um complexo que une a produção de energia
elétrica ao transporte hidroviário, especialmente nos
rios Madeira, Mamoré, Beni e Madre de Dios.
Realizar
planos de tal envergadura, como os previstos na IIRSA, requer um
aparato institucional e uma rede de financiamento de grande dimensão.
A articulação de seus principais instrumentos ocorreu a
partir de uma reunião de cúpula, realizada em Brasília,
entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro de 2000, durante as
comemorações dos 500 de descobrimento do Brasil, com a
presença dos presidentes dos países da América
do Sul. Nesse encontro ficaram definidas as agências
multilaterais que comporiam a base de financiamentos e de apoio
técnico: o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a
CAF (Corporação Andina de Fomento); o FONPLATA (Fundo
de Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o Banco Mundial. Os
princípios orientadores da execução da IIRSA,
que constam do “Comunicado de Brasília” (2000), passariam
por:
a) Um regionalismo aberto, concebendo a América
do Sul como um espaço plenamente integrado, sem barreiras
comerciais, formando uma só economia, fundada em atividades
exportadoras;
b) Definir Eixos de Integração
e Desenvolvimento (EID) a partir da identificação de
setores produtivos multinacionais de alta competição em
nível internacional, com base num padrão mínimo
comum de qualidade dos serviços de infra-estrutura (Energia,
Transporte Multimodal e Telecomunicação) e de apoio aos
investimentos privados em cada eixo de integração: Eixo
Andino (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela);
Eixo Andino do Sul (Argentina, Bolívia e Chile); Eixo de
Capricórnio (Argentina, Brasil, Chile e Paraguai); Eixo do
Amazonas (Brasil, Colômbia, Equador e Peru); Eixo do Escudo
Gayanés (Brasil, Guiana, Suriname e Venezuela); Eixo do
Sul (Argentina e Chile); Eixo da Hidrovia Paraguai-Paraná
(Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai); Eixo
Interoceânico Central (Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai
e Peru); Eixo Mercosul-Chile (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e
Uruguai); e, Eixo Peru-Bolívia-Brasil;
c)Sustentabilidade
econômica, social, ambiental e
político-institucional;
d)Aumento do valor agregado
da produção e intensificação do uso de
tecnologia da informação;
e)Padronização
das normas institucionais de regulação das
atividades privadas e de planejamento entre os países
membros;
f)Coordenação público-privada
dos projetos de integração, na busca de uma liderança
compartilhada entre governos e empresas, visando fórmulas
inovadoras de elaboração, financiamento e execução
de projetos.
Além das agências multilaterais o
esquema internacional criado para o financiamento dos projetos
operacionais da IIRSA prevê um papel especial para as agências
de fomento de cada país da região. No Brasil, por sua
posição geopolítica estratégica, o
governo federal tem atuado no sentido de garantir a execução
dos cronogramas da IIRSA, atendendo aos apelos das multinacionais da
construção civil, da produção de
semi-elaborados e do agronegócio exportador. Essa posição
se explicita na aprovação de novos aparatos normativos,
como é o caso da regulamentação das Parceiras
Público-Privadas, mas, também em grandes investimentos
públicos, seja diretamente pela ação dos
ministérios, na contratação de empreiteiras,
seja no financiamento de obras executadas em convênios com os
governos estaduais e prefeituras.
O Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se propõe a
funcionar como grande plataforma de fomento, não somente para
os investimentos previstos para o território nacional, mas,
para toda a América do Sul. Tal posição foi
reafirmada mais recentemente, durante a “Primeira Rodada de
Consultas para a Construção da Visão Estratégica
Sul-Americana no Brasil”, ocorrida em novembro de 2005, quando o
então presidente do BNDES, Guido Mantega (atual ministro da
Fazenda), apresentou a posição oficial de que o
desenvolvimento dos países sul-americanos exige a constituição
de uma infra-estrutura integrada que, por sua vez, necessita de
financiamento. Por isso, o banco de desenvolvimento brasileiro
“incorporou à sua missão este objetivo estratégico,
atuando como órgão financiador da integração
da América do Sul” (BNDES, 2005). Na seqüência de
seu discurso, Mantega apresentou a carteira de projetos financiados e
em operação naquele momento:
País/
Projeto Financiamento em US$
|
Projetos
|
Em US$
|
|
ARGENTINA |
237.000.000
200.000.000
37.000.000
|
|
CHILE |
153.222.000
153.222.000
|
|
EQUADOR |
304.565.000
61.600.000
242.965.000
|
|
PARAGUAI |
77.000.000
77.000.000
|
|
VENEZUELA |
326.400.000
121.000.000
107.500.000
78.000.000
19.900.000
|
Fonte: www.bndes.gov.br.
Total
Integração América do Sul 1.098.187.000
Um
outro material gráfico da Rede Brasil (2006) retrata os
compromissos internacionais e o papel desempenhado pelo BNDES em
relação à IIRSA. A Rede Brasil informa
que o BNDES é financiado pelo BM e pelo BID e, também,
por bancos estatais estrangeiros, do Japão, da Alemanha, entre
outros países. Como não há de se esperar que
estas linhas externas de financiamento tenham um caráter
filantrópico, ainda mais quando se trata de competição
entre grandes blocos de capital, não fica difícil de
imaginar (o banco público de fomento não tem sido
transparente o suficiente para que se possa aferir precisamente suas
principais operações) o papel estratégico do
BNDES na realização dos projetos que são
orientados pelas agências multilaterais ou mesmo por agências
oficias das grandes potências mundiais.
“No âmbito
regional, o BNDES tem relações estratégicas com
fundos tais como a Corporación Andina de Fomento (CAF). Esta
entidade é uma instituição financeira
multilateral com sede em Caracas, na Venezuela, que objetiva apoiar o
desenvolvimento e a integração física dos países
membros. No final de 2005, o BNDES e a CAF assinaram um memorando de
atuação conjunta, com base no qual poderão
co-financiar projetos em 17 países da América do Sul e
Caribe. Esta parceria se revela estratégica para a alavancagem
de projetos de infra-estrutura (energia, transportes, hidrovias) no
âmbito da chamada Iniciativa para a Integração da
Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA). Vários dos
projetos sob a IIRSA se adequam a um modelo predatório de
exploração de recursos naturais para exportação,
franqueando a mercados estrangeiros o acesso a riquezas,
frequentemente destruindo o meio ambiente e a vida de comunidades e
em nada contribuindo para o desenvolvimento social e ambientalmente
sustentável” (REDE BRASIL, 2005: 18).
Além das
fontes de financiamento as empresas estatais brasileiras também
têm papel destacado na realização da IRSSA a
partir de investimentos diretos no Brasil e em outros países
da América do Sul. De um lado, observa-se o importante papel
desempenhado pelas empresas do Grupo Eletrobrás Centrais
Elétricas Brasileiras S.A., dentro dos projetos de construção
do complexo hidrelétricas-hidrovias. Tais iniciativas
favorecem especialmente as empresas mineradoras, instalas e em
ampliação na Amazônia, cuja produção
apresenta a energia elétrica como principal componente de seus
custos operacionais. Assim, a proposta é converter os recursos
hídricos abundantes da região em fontes energéticas
de baixo custo, associada à realização do
potencial hidroviário de transporte da produção.
De
outro lado, destaca-se o Grupo Petrobrás como uma plataforma
fundamental na implantação da IIRSA. A abertura do
capital da estatal brasileira do petróleo levou-a a operar
como uma grande concorrente multinacional da indústria
petroleira na região. Na defesa dos interesses de seus
acionistas, nacionais e estrangeiros (O Estado Brasileiro, apesar de
manter pouco mais da metade das ações com direito a
voto, detém apenas 32,2% do capital social total da Petrobrás
após sua privatização parcial), a Petrobrás
tem expandido sua atuação regional, como qualquer outra
empresa privada, inclusive deixando de cumprir em outros países
os condicionantes ambientais que o Estado Brasileiro exige nas
operações com petróleo e gás natural aqui
no Brasil.
Além do Brasil, a Petrobrás atua em
pelo menos outros nove países da América do Sul. Cabe
destacar, a título de ilustração, o caso do
Equador sobre os conflitos gerados pela Petrobrás com as
comunidades indígenas, pois, boa parte de suas operações
ocorrem dentro da Reserva da Biosfera Yasuní.
“Está
casi enteramente en la Reserva de la Biosfera Yasuní,
afectando tanto al Parque Nacional yasuní, como a la Reserva
Étnica Huaorani. Limita en su parte sur con la zona
intangible, y parte del Bloque constituye territorio de migración
de las comunidades indígenas sin contacto Tagaeri y Taromenani
Con fecha 25 de agosto del 2004, y coincidiendo con la llegada del
Presidente de Brasil, Luis Inacio Lula da Silva, el Ministerio del
Ambiente otorgó uma Licencia Ambiental a la empresa nacional
brasileña Petrobrás, para la fase constructiva del
proyecto para el Desarrollo y Producción del Bloque 31, a
través de los campos Nenke y Apaika, la misma que debía
sujetarse al Estudio de 20 Impacto Ambiental (EIA) y Plan de Manejo
Ambiental aprobado. El EIA fue aprobado a pesar de las terribles
falencias que tenía, y que lo hacía completamente
inaceptable, especialmente si pensamos que iba a ser aplicado en una
zona de extrema fragilidad ecológica. Posteriormente, en marzo
del 2005, se otorga una nueva licencia ambiental a Petrobrás,
esta vez para que pueda talar más de 20 mil metros cúbicos
de árboles, procedentes de los bosques vírgenes del
Yasuní, para que la empresa pueda abrir sus carreteras y vías
de acceso, y construya dos plataformas petroleras, de cada una de las
cuales se perforarán 12 pozos para extraer el crudo de las
entrañas del Yasuní. Se le cobra por destruir esta zona
del Yasuní, la irrisoria cantidad de 60.000 dólares. El
Bloque 31 se encuentra en el corazón del Parque Nacional
Yasuní. El propio EIA reconoce que la carretera y oleoducto
que pretende construir Petrobrás atravesará bosque
maduro sobre colinas, llanuras aluviales, atraviesa 8 cruces de ríos,
110 pantanos. Esta ruta es la que posee mayor biodiversidad tanto de
fauna como de flora. Contiene varias especies endémicas y en
peligro” (OILWATCH, 2005: 19).
As atuais posições
políticas dos governos venezuelano e boliviano têm
provocado grandes conflitos de interesses entre as estatais do
petróleo daqueles países e a Petrobrás, abrindo
a possibilidade de abertura de uma nova abordagem para o papel que
esta e as demais empresas estatais brasileiras desempenham na região,
especialmente no que tange às perspectivas de debater um
modelo diferenciado de integração regional.
Condições
políticas internas para a integração
Após
as aventuras macroeconômicas do governo Sarney e as desventuras
faraônicas do governo Collor de Mello o discurso político
procurou demonstrar um Brasil que renascia para um forte período
de redemocratização e de nova inserção
internacional. Entretanto o que se viu foi uma nova acomodação
de interesses que combina, até os dias de hoje, uma forte
abertura comercial, uma total desregulação no controle
dos fluxos de capital, a privatização de empresas e
serviços públicos, um severo controle sobre os níveis
salariais, a flexibilização das relações
de trabalho, a precarização da proteção
social, tudo isso combinado a uma nova abordagem de integração
econômica regional. Ao lado de todos os esforços da
propaganda oficial e da mídia oligopolizada, a realização
desse projeto de integração imperialista tem contado
com uma drástica e decisiva alteração no
posicionamento das principais lideranças do movimento sindical
brasileiro, no mesmo período.
A implantação
do Plano Real (em 1994) contou com duas características
principais. De um lado, a montagem de um grande aparato de
propaganda, com grande contribuição da intelectualidade
e do jornalismo, inclusive de boa parcela das assessorias do
movimento sindical; e, de outro lado, o recrudescimento das relações
repressivas sobre o movimento social. Toda essa preparação
teve como principal resultado a implementação do Plano
Real sem que houvesse qualquer perspectiva de organização
de greve geral por parte do movimento sindical. Iniciativas
reivindicatórias isoladas ocorreram, mas, foram logo
dizimadas, inclusive com a intervenção judicial, que
sentenciava pesadas multas para os sindicatos das categorias de
servidores públicos e de empregados em empresas estatais, mais
organizados naquele momento.
Era a primeira vez, depois da
implantação de uma série de planos de
estabilização monetária, que os sindicatos não
conseguiam organizar uma greve geral no Brasil. O interessante é
que o Plano Real constituiu a imposição de um sistema
de conversão de preços em geral e salários, em
que a classe trabalhadora brasileira perdeu demasiadamente em relação
aos planos de estabilização anteriores. E as medidas
que seguiram à alteração do padrão
monetário ainda foram muito mais cruéis, pois
implicavam na necessidade de fortes cortes nos gastos sociais do
governo, na degeneração do sistema de proteção
social, com forte onda de desemprego, provocada pela abertura
comercial e pela reestruturação das empresas que
passaram a ser vendidas para o capital multinacional.
As
principais lideranças sindicais não conseguiram
resistir nas trincheiras traçadas desde a criação
do chamado “Novo Sindicalismo” e sucumbiram na adesão às
novidades que eram impostas ao mundo do trabalho pelas novas regras
do jogo. Cada vez mais o movimento sindical foi perdendo as
perspectivas de organização da classe trabalhadora, no
sentido de seu fortalecimento para enfrentar as contradições
do capital e para a construção de sua emancipação.
Os principais sindicatos passaram a defender princípios
vinculados a abertura de espaços na sociedade, mas, dentro de
uma visão estreita, burguesa, da busca de direitos a uma
suposta cidadania, em plena era de consolidação das
idéias e das políticas neoliberais. Além disso,
durante todo esse processo, muitas lideranças sindicais
abandonaram de vez as atividades sindicais e passaram a se ocupar de
atividades partidárias, ocupando cargos importantes em
administrações públicas, enquanto algumas outras
foram gerenciar fundos de pensão, cooperativas de crédito,
entre outras ocupações alheias à organização
da classe trabalhadora brasileira.
Essa situação
ficou mais explícita ainda com a posse do presidente Lula em
2003. Se da parte do governo, os ex-sindicalistas no poder passaram a
adotar as políticas neoliberais que antes atacavam, em boa
parte dos movimentos sociais ampliou-se ainda mais as perspectivas de
busca da cidadania, dentro da ordem burguesa, acreditando num
processo gradual de conquistas sociais. Nessa linha, lideranças
de uma parcela significativa do movimento popular atacam as políticas
neoliberais, e inclusive rebatem alguns instrumentos mais violentos
da atual política externa dos Estados Unidos, mas parecem se
contentar com a continuidade e a ampliação das medidas
assistenciais do governo brasileiro, mas, sem perspectivas de
retomada da luta anticapitalista. A reeleição do
presidente Lula em 2006 reacende nessa parcela da militância
popular a esperança de um mandato renovado, montado sobre
bases mais sensíveis aos apelos por melhorias na qualidade de
vida das camadas populares, crentes de que não existe
possibilidade de ações mais ousadas, na linha de
grandes alterações na atual estrutura social.
Nesse
quadro político ficam ainda mais confortáveis as
agências de promoção do imperialismo na apologia
de suas propostas de integração. Muitos intelectuais da
esquerda, inclusive, defendem a política externa do atual
governo brasileiro, argumentando que nunca o país esteve tão
voltado para a consolidação da integração
econômica regional, sem, contudo refletir sobre a qualidade
efetiva desses acordos de cooperação e de liberalização
comercial, fundados na idéia de se constituir uma grande
economia, competitiva, a partir da integração das
Américas.
Contudo, a formação de novos
movimentos sociais no Brasil parece fomentar uma contraposição
ao papel desempenhado pela maioria sindicalista nos dias atuais. A
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras
Multilaterais, por exemplo, tem apresentado um trabalho interessante,
exatamente por possibilitar a identificação dessas
novas formas de organização da militância social,
cujos interesses estão também vinculados às
formas de superexploração do trabalho, especialmente no
campo, mas, também, às condições básicas
de qualidade de vida. O trabalho da Rede Brasil tem atraído
para seus debates, reuniões e cursos de formação,
tanto o Movimento dos Atingidos por Barragens (hidrelétricas),
quanto a Via Campesina, a Rede Alerta Contra o Deserto Verde (que
atua contra as monoculturas do eucalipto e pinus), a Marcha Mundial
das Mulheres e vários outros agrupamentos de ecologistas e
militantes sociais. Movimentos estes que procuram organizar as
famílias trabalhadoras imediatamente atingidas pelos impactos
provocados pelas políticas de integração física
regional e, por isso mesmo, trazem a possibilidade de resistência
e, quiçá, de busca de outras formas de relacionamento
internacional dos povos latino-americanos.
Por uma outra
integração
Solidariedade internacional pode
combinar com algum modelo de integração? Vendo a coisa
da forma descrita anteriormente, percebe-se que o atual discurso da
mídia, que clama ao governo federal que resguarde os
interesses do Brasil nas negociações com a Bolívia
e a Venezuela, por exemplo, nada tem a ver de fato com o apego à
nacionalidade e muito menos com a ação diligente da
imprensa nacional na proteção dos direitos do povo
brasileiro. Trata-se, na verdade, de cobrar que o Estado nacional
capitalista cumpra as funções que sua própria
natureza lhe impõe, especialmente aquela de garante do
processo de acumulação, mesmo diante de todas as suas
contradições. Considerando a posição
subordinada do desenvolvimento capitalista no Brasil, essa função
primordial da acumulação exige também a garantia
de perpetuação da transferência de riquezas para
os grandes centros imperialistas, inclusive em forma de lucros, de
juros ou em outras formas de renda. Dada a dimensão
estratégica do Brasil na América Latina, adiciona-se às
funções acima a de servir de correia de transmissão
para a realização do imperialismo em toda essa região
do planeta, contribuindo para a subordinação da
soberania de cada uma das nações latino-americanas aos
interesses do grande capital. Aqui não cabe pensar em qualquer
forma de solidariedade.
Pensar numa integração
globalizante, fundada no desenvolvimento ambientalmente sustentável,
nos direitos humanos, na emancipação de gênero,
no direito à imigração, nos direitos dos povos
indígenas e quilombolas, enfim, no direito à livre
manifestação da diversidade cultural que tanto orgulha
à América Latina, pressupõe a superação
das relações fundamentais, que mantêm esses povos
vinculados ao regime mercantil da exploração do
trabalho.
A alternativa? Certamente, recuperar as proposições
de uma outra integração, com base na autodeterminação
dos povos, que resgate o conceito de soberania, fundada num outro
padrão de produção, de distribuição
e de consumo, bem distante das marcas fundamentais do mercado
capitalista. Ou seja, uma integração que parta do
princípio da superação de qualquer forma de
exploração.
Referências
bibliográficas
MARINI, Ruy Mauro. Dialética
da dependência. In: SADER, Emir (Org.). Dialética
da dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini.
Petrópolis: Vozes; Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 105-65.
BNDES. Integração da infra-estrutura da
América do Sul. nov./2005. Disponível em
BRASIL (et. All.). Comunicado de
Brasília. Disponível em
IBASE.
Entrevista: Margarita Florez. 22/set./2006. Disponível
em
OILWATCH. Explotación
petrolera em la reserva de la biofesra Yasuní. Disponível
em <www.oilwatch.org>.
REDE BRASIL SOBRE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
MULTILATERAIS. O BNDES visto pela sociedade civil. Brasília
: REDE BRASIL, 2006.
SAID, Magnólia. FMI, Banco
Mundial e BID: impactos sobre a vida das populações.
Fortaleza : [s.n.], 2005.
*Helder Gomes (helgomes@uol.com.br)
é mestre em Economia pela UFES (Brasil) e consultor da
Coopemult Consultoria.

Contatos




