Que Furnas e Odebrecht expliquem::

1) Por que a hidrovia e a linha de transmissão não entraram nos estudos de impacto ambiental das Usinas se fazem parte do mesmo projeto? Que jogada é essa do Consórcio Furnas-Odebrecht de não querer mostrar o Projeto do Madeira inteiro à população rondoniense e brasileira? O que temem eles? A obra não pode ser considerada viável sem que se considere a interligação dos empreendimentos anexos, em uma abordagem integrada dos impactos, como exige o próprio Termo de Referência dos Estudos.

2) Por que não promoveram os estudos da bacia do Madeira em respeito à política nacional de recursos hídricos, às resoluções do CONAMA e do CNRH? A ausência desse pré-requisito inviabiliza o Projeto, pois fica provada a irresponsabilidade dos empreendedores com o destino da população de toda a bacia do Madeira, em Rondônia, Acre, Amazonas, Mato Grosso, incluindo a população de Pando (Bolívia) e de Madre de Dios (Peru).

3) Como tiveram coragem de adotar ou convalidar metodologias no EIA-RIMA que disfarçam os riscos reais das obras para a população? Como puderam omitir a verdade sobre as reais possibilidades de contaminação por mercúrio, de disseminação da malária e de perda de qualidade da água? É crime contra administração ambiental sonegar dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental (lei 9605/98).

4) Por que preferiram nos deixar sem informação confiável a respeito da perda da biodiversidade e da decadência das atividades agroextrativistas a ela vinculadas? Por que não fizeram os estudos detalhados sobre a desestruturação social, cultural e urbana decorrente dos empreendimentos? Tudo aquilo que é grave e preocupante no projeto não está vindo a público. Com todas essas incertezas o projeto não pode ser considerado viável.

5) Por que as populações ribeirinhas não foram reconhecidas em seus direitos, em sua posse, trabalho, identidade e benfeitorias? Além do valor material, há um valor simbólico e cultural que não tem preço. Tribos indígenas, algumas isoladas, serão afetadas, mas nenhum processo de reconhecimento e consulta foi feito. Não se pode admitir a viabilidade de um empreendimento que ignora, desrespeita e ameaça as populações tradicionais que há décadas e séculos convivem em harmonia com o Madeira.

As pressões econômicas estão falando mais alto que a razão, a justiça e a lei!

O Projeto coloca nossa vida em risco e em questão, os empreendedores não conseguiram provar o contrário!

Em nome do princípio da precaução, a segurança da população vem antes da “segurança” dos grupos econômicos!

As populações do Madeira e de toda a Amazônia têm o direito de escolha e de recusa!

Aqui ninguém renunciará a esse direito.

FÓRUM INDEPENDENTE POPULAR DO MADEIRA