Mariana Mainenti
Da equipe do
Correio
Os professores da Universidade do Haiti e líderes
do movimento de trabalhadores Batay Ouvriye, Didier Dominique e
Rachel Beauvoir Dominique, vieram ontem a Brasília pedir ao
governo brasileiro que retire suas tropas do país caribenho.
“Defendemos a retirada das tropas porque estão defendendo um
projeto cruel de exploração do povo haitiano. A
manutenção da paz que fazem é uma manutenção
da paz dos mais ricos”, acusou Didier.
Na opinião do
arquiteto haitiano, as operações das forças da
Missão das Nações Unidas de Estabilização
no Haiti (Minustah) estão levando “terror” às áreas
mais pobres. “Começou em dezembro uma ofensiva militar em
Cité Soleil que causou a morte de civis. Também não
há desarmamento. O que acontece é um terror nos bairros
populares”, afirmou, em referência às operações
lideradas pelo Batalhão Brasileiro na favela de Porto
Príncipe, para que a Minustah passasse a ter o controle
territorial de Cité Soléil.
O bairro estava
dividido entre facções rivais que promoveram uma
escalada de seqüestros no país. “Esses seqüestros
atingem somente a população mais rica. Para os pobres,
as operações acabaram levando apenas mais insegurança”,
disse Rachel. “Pedimos que as tropas se retirem, para que o próprio
povo haitiano possa se organizar e criar alternativas”, acrescentou
a antropóloga.
Documento
Os dois entregaram
ontem a autoridades brasileiras o Relatório Final da Missão
Internacional de Investigação e Solidariedade com o
Haiti, documento elaborado por representantes de movimentos sociais
latino-americanos. O documento aponta que a Minustah não terá
êxito sem que questões estruturais do Haiti sejam
solucionadas. “Há uma situação de miséria
do povo haitiano. Os que têm trabalho funcionam como
mão-de-obra barata nas multinacionais. Os salários são
de miséria. É isso que causa a situação
de tensão do povo haitiano”, afirmou Didier, acrescentando
que a questão da dívida haitiana também tem de
ser solucionada, Ele criticou ainda o governo haitiano por ter
firmado um acordo de livre comércio com o governo dos EUA.
“Esse acordo não dá nenhuma garantia dos direitos dos
trabalhadores haitianos”, disse.

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