Varias
versões sobre o Programa de Aceleração do
Crescimento – PAC
A
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras
Multilaterais disponibilizou em seu site várias versões
de textos de autores com visões diferenciadas sobre o Programa
de Aceleração do Crescimento - PAC. O Programa foi
lançado pelo Governo Federal no dia 22 de janeiro de 2007, e
consiste na suposta realização de investimentos de R$
503 bilhões até 2010. Tais investimentos estariam
divididos em três grandes áreas: transportes, energia e
infra-estrutura social e urbana.
O
Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Antonio Luis
Licha, e a pesquisadora do Grupo de Conjuntura da UFRJ, Maria Andréa
Santichio, analisam a viabilidade do PAC, assim como suas
conseqüências macroeconômicas. Segundo suas análises
a taxa de investimento deve crescer rapidamente no período
2008 a 2010; no começo do período de vigência do
PAC, o consumo das famílias deve crescer menos que o PIB; a
conta corrente se tornará fortemente negativa no final do
período (2016). Por outro lado: os indicadores de
vulnerabilidade externa do país e a liquidez internacional
continuaram bons, o país não encontrará grandes
dificuldades em financiar esse déficit. A relação
Dívida Pública e PIB terá uma forte redução,
reduzindo-se significativamente a vulnerabilidade fiscal; uma forte
redução da taxa de desemprego e uma melhora
significativa das condições no mercado de trabalho.
Para
Magnolia Said, presidente do Esplar – Centro de Pesquisa e
Assessoria - o PAC surge como resposta à demanda de nossos
supostos "credores", ávidos para sugar toda a nossa
riqueza: nossa água, nosso território, nossa
biodiversidade. O Programa reforça a concepção
do modelo de desenvolvimento imposto à população,
que não incorpora a base social da agricultura regional tanto
do ponto de vista quantitativo como econômico, social e
cultural. Da mesma forma, se insere na estratégia de
recomposição do papel das Instituições
Financeiras Multilaterais (FMI, Bird e BID) como instituições
operadoras do modelo, que buscam atualizar a necessidade de se
manterem intervindo nos países tomadores de empréstimos.
Os recursos do PAC vêm prioritariamente de empresas estatais,
mas também de bancos privados. Para captar recursos de
empresas privadas, o governo utilizará o mecanismo das PPPs
(Parcerias Público-Privado), instrumento de execução
de serviços públicos por parte de empresas privadas,
que tem sido bastante criticado pelas organizações da
sociedade civil.
O
assessor Político do Conselho Indigenista Missionário –
CIMI, Paulo Maldos, critica o PAC e levanta a questão: qual
desenvolvimento se busca? Para quem? Com quais objetivos? Com quais
métodos? Com participação de quem? Com
benefícios para quem? Paulo
ressalta em seu artigo que o Programa não teve ouvidos para as
implicações dos seus impactos nos territórios
indígenas e quilombolas nem para os “efeitos colaterais”
na vida de comunidades inteiras que neles vivem. “O PAC obedece a
um modelo de desenvolvimento de corte eminentemente econômico,
onde estão refletidos direta e exclusivamente os interesses do
grande poder econômico”, afirma.
O diretor de Economia e
Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente, Gerson Teixeira,
defende o Programa afirmando que o PAC veio tentar dar vazão
ao amplo anseio da sociedade brasileira pela retomada do crescimento
da economia após 25 anos com o Produto Interno Bruto crescendo
em taxas absolutamente distantes das potencialidades e das
necessidades do país. Gerson cita a coincidência do
anúncio do PAC com a divulgação de novos estudos
sobre as mudanças do clima em escala global que
irrecorrivelmente colocam o Brasil entre os maiores protagonistas
políticos por atitudes que possam evitar ou minimizar os
prognósticos sombrios sobre as condições de vida
no planeta no futuro próximo. Contrariando a necessidade de se
proteger o planeta, o diretor admite que a implantação
do PAC tende a garantir o êxito político ao programa nos
aspectos relacionados à agenda econômica, não
necessariamente o mesmo pode ser dito com relação aos
imperativos da nova agenda ambiental.
Em sua cartilha “Programa
de Atendimento aos Credores”, Rodrigo ávila explica que
o governo Lula incluiu no PAC
medidas que visam cortar gastos sociais pelos próximos dez
anos. Prevê a limitação dos gastos com os
servidores públicos, a limitação do reajuste do
salário mínimo a índices pífios até
2011 e a criação do Fórum Nacional da
Previdência Social, que visa propor uma nova Reforma da
Previdência, para retirar mais direitos duramente conquistados
pelos trabalhadores.
Vejam os textos dos diversos autores na integra:
- Projetos de infra-estrutura do PAC - DNIT
- A IIRSA e o seu relacionamento no PAC - Ariel Pares
- O PAC e a performance da economia brasileira- Antonio Luis Licha e Maria Andréa Santichio
- Versão nacional da (des)integração sul-americana - Magnólia Said
- Desenvolvimento: explorar ou emancipar? - Paulo Maldos
- O PAC e o Meio Ambiente - Gerson Teixeira
- Programa de Atendimento aos Credores - Rodrigo Ávila
- PAC: muito longe da questão central - Paulo Cesar Marques da Silva
- O PAC e a Amazônia - FAOR/FAOC

Contatos




