A
atual mudança na presidência do Banco Mundial é
um momento importante para discutir o papel da instituição.
No entanto, o debate está sendo reduzido a uma briga em torno
da nacionalidade do presidente. A Europa quer que seja um (é
um mesmo porque sempre foi um homem) europeu e não mais
um estadunidense como tem sido historicamente – obviamente
orgulhosos da atuação do FMI historicamente liderada
por um Europeu - enquanto outros exigem que seja de algum país
do Sul. E aí, se o Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES,
fosse presidente do Banco Mundial ele mudaria a atuação
da instituição? O ministro da Fazenda, Guido Mantega
critica o processo dizendo que a escolha precisa ser por mérito
e não nacionalidade. Correto ele, mas quem vai definir esse
mérito? São as populações direta e
indiretamente impactadas pelas políticas do Banco ou os
tradicionais donos do poder – sejam brasileiros, estadunidenses ou
europeus; todos da mesma escola neoliberal? A questão central
não é de onde vem quem está no poder, nem sua
capacidade de ocultar os beneficiários do seu nepotismo, mas
sim a lógica que politicamente orienta a instituição.
É essa a orientação que tem impacto direto na
estrutura de poder e o modelo de desenvolvimento no qual o Banco se
baseia para realizar seus empréstimos.
Claro que ter o Wolfowitz – ou qualquer Wolf-alguma-coisa - no poder de um Banco de fomento precisa ser questionado; não só pela questão ética decorrente do nepotismo, mas por ser um dos arquitetos da invasão do Iraque e defensor da implementação de policias neoliberais que têm sido responsáveis pela morte de milhões de pessoas no mundo todo. Mas o Roberto Zoellick - ex-secretário de comércio dos EUA - não pode ser considerado um anti-Wolfowitz como coloca a imprensa, somente porque ainda não foi flagrado com suas meias rotas ou lambendo seu pente antes de passar no cabelo ao vivo. Wolfowitz é conhecido por estas cenas. Neste mês de maio a imprensa publicou fotos dele usando meias rasgadas e ele aparece no filme de Michael Moore Fahrenheit 11 de setembro lambendo um pente
Todo
esse controle continua ocorrendo até em países que nem
mais precisam dos recursos financeiros do Banco, como o Brasil. Em
2006 o Banco Mundial desembolsou 4 bilhões de reais; o BID 3
bilhões de reais
e o BNDES 52,3 bilhões de reais.
A diferença é gritante. Então para quê?
Para o Banco Mundial sua presença é importante para o
Brasil por seu “poder convocatório” – alavanca outras
parcerias! Será mesmo ou é mais uma desculpa para
tentar superar o fato de que sua existência não pode
mais ser justificada? Se Venezuela e Equador podem ficar sem o Banco
Mundial porque o Brasil não? Porque o governo não quer!
Ao em vez de ficar perdendo tempo brigando pela presidência de um banco politicamente, financeiramente e acima de tudo eticamente falido, o Brasil deveria se preocupar em promover mudanças radicais no BNDES que está seguindo o mesmo caminho que o Banco Mundial em termos de modelo de desenvolvimento fomentado. Depois de mais de sessenta anos de Banco Mundial e FMI, está na hora de declarar que reformar essas instituições não é possível. É preciso construir alternativas! Alternativas que promovam a garantia dos direitos econômicos, culturais e socioambientais, onde todos tenham o mesmo direito e poder, que sejam governadas pelos próprios países para não construir maquinas gigantescas com salários surreais substituindo o Estado, onde seus dirigentes e funcionários sejam responsáveis perante a justiça e não tenham imunidade, que paguem impostos, onde todas as informações e arquivos sejam de domínio público e objetivem superar as assimetrias e não aumentá-las. Ou seja, alternativas do povo para o povo. Tudo isso que o Banco Mundial não faz!
Brasília 1º de junho de 2007
Fabrina
Furtado
Mestre
em Economia Política Internacional e Secretária
Executiva da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras
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