Ajuste estrutural, pobreza e desigualdade de gênero:

Organizador: Iniciativa de Gênero
Autor: Mônica Franch, Carla Batista e Silvia Camurça
Ano: 2001
O Caderno que você tem em mãos aborda um tema complexo e, em geral, pouco acessível para a maioria das pessoas: as políticas de ajuste estrutural. Com esta publicação, pretendemos promover a circulação de informações críticas sobre a relação entre essas políticas e o cotidiano das mulheres. Para isso apresentamos uma síntese das informações básicas para se entender o assunto, fazemos considerações sobre a implicações do Ajuste na vida das mulheres e ensaiamos uma leitura do Ajuste na perspectiva do feminismo e da igualdade de gênero.

De forma resumida, as políticas de ajuste podem ser definidas como um leque de medidas governamentais que foram e estão sendo desenvolvidas na maioria dos países do chamado Terceiro Mundo, entre eles o Brasil. Tais políticas seguem um padrão semelhante que compreende, entre outros aspectos, a redução da responsabilidade social do Estado, a ênfase na estabilidade da economia, a abertura dos mercados nacionais para o capital internacional e a privatização das empresas estatais.

A aplicação das políticas de ajuste é orientada e estimulada por diferentes meios, sendo implementadas sobretudo através de acordos assinados entre governos nacionais e Instituições Financeiras Multilaterais (IFMs). Nesse caso, as políticas de ajuste emergem como condicionalidades ou exigências para consecução de empréstimos junto ao Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e bancos regionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A importante influência dessas instituições financeiras para adoção das políticas de ajuste é o que nos leva a escrever este Caderno no contexto da Iniciativa de Monitoramento da Ação das IFMs no Brasil na Perspectiva de Gênero. A Iniciativa, como é chamada, é uma ação coletiva , realizadas em parceria entre organizações de movimento de mulheres e da Rede Brasil, que teve início em 1999. Se propõe monitorar os efeitos dos projetos financiados pelo Bird e BID e, desde o ano 200, incluiu entre suas atividades um plano de comunicação em torno da ação das Instituições Financeiras Multilaterais frente às políticas de ajuste. Este Caderno é um produto dessa atividade.
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