O Que é o BID?
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é uma Instituição Financeira Internacional (IFI) que realiza empréstimos no continente americano para governos e empresas privadas. O Brasil é o país que mais recebe financiamento do BID. O Banco é constituído por 46 países membros: 26 da América Latina e Caribe, 16 da Europa, além de Israel e Japão. O Brasil é o 2º país com maior poder de voto (10,752%) empatado com a Argentina, ficando atrás somente dos EUA que detêm 30,007% dos votos.
O governo brasileiro, mesmo sendo quem mais recebe financiamento, tendo mais poder de voto no Conselho de Direção do BID, com o poder de controlar a atuação desse banco no Brasil, é o que mais aceita e defende as políticas e projetos que tendem a limitar cada vez mais, a soberania do País.
A Concepção de Desenvolvimento do BID
O BID defende
como princípio para o desenvolvimento de um país, a
redução da intervenção do Estado e a
ampliação do poder das empresas privadas. De
acordo com o Banco, suas prioridades de financiamento são:
eqüidade social e redução da pobreza,
modernização, integração e meio ambiente.
Uma das reformas mais intensasapoiadas pelo BID são as
Parcerias Público-Privado, constituídas como
alternativa à privatização de serviços
públicos, onde são oferecidas a empresas privadas
grandes oportunidades de muito lucro e vantagens, com grande
segurança oferecida pelo Estado, em distintos campos das
políticas públicas, desde a construção
e/ou manutenção de rodovias até a gerência
de escolas. O BID é atualmente o
organismo multilateral que mais financia projetos no país. Em
relação às outras IFI’s, o BID tem 50% de
projetos em execução,
em comparação ao Banco Mundial que tem 33,3%. Abaixo
segue um gráfico que mostra seus financiamentos por setor.
Como Opera o BID?
O
BID é governado por uma Assembléia de
Governadores, autoridade máxima
do Banco, composta por representantes de cada país, na maioria
das vezes ministros da Fazenda, Planejamento ou presidente do Banco
Central.
O Brasil é representado pelo
ministro do Planejamento,Orçamento e Gestão, Paulo
Bernardo.
A
assembléia delega a supervisão das operações
do Banco para uma Diretoria Executiva
que é composta por 14 membros representando diversos países
eleitos pela Assembléia dos Governadores. No Brasil, o
diretor-executivo é o Rogério Studart, economista
professor-adjunto licenciado da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O
presidente do BID é
eleito pela Assembléia de Governadores
para um mandato de cinco anos,
podendo ser re-eleito. Para ser eleito presidente do Banco, o
candidato deverá obter o apoio de países membros que
tenham a maioria absoluta no poder de voto. O presidente conduz as
atividades diárias do Banco.
O
Banco tem também um vice-presidente executivo, eleito
pela Diretoria Executiva que supervisiona os departamentos
operacionais e um vice-presidente
de finança e administração
subordinado ao vice-presidente executivo. Atualmente, o
vice-presidente executivo é o economista, Ciro Falco, dos EUA
e o vice-presidente de finança e administração é
o economista brasileiro, João Sayad.
Quem é o presidente do BID e como ele foi escolhido
No dia 27 de julho de 2005, durante uma reunião especial da Assembléia de Governadores do BID, o embaixador da Colômbia nos Estados Unidos, Luís Alberto Moreno, foi eleito o novo presidente do Banco. O processo pelo qual o Sr. Alberto foi eleito deu-se de modo inteiramente antidemocrático. Isso refletiu o caráter geral da instituição, que adotou procedimentos operacionais sigilosos, permitindo que o Banco continue não prestando conta de suas ações à sociedade.
Tal
processo de eleição resultou na “escolha” (ou
imposição pelos EUA e seus colaboradores) de um
indivíduo com um passado polêmico, que segundo fontes da
mídia e organizações da sociedade da Colômbia,
de onde ele é nacional, tem o nome ligado a fraudes
relacionadas a questões de terra (o chamado escândalo de
Chambucú - Colômbia ) e financeiras (operações
do Banco del Pacifico) além de ser conhecido como um dos
responsáveis por garantir recursos de Washington para o Plano
Colômbia – o qual tem ocasionado
impactos socioambientais graves
e servido aos interesses do governo norte americano.
Essas informações sobre o Sr. Moreno deveriam ter sido
expostas a um amplo e participativo debate público.
O BID, as Populações Locais e o Meio Ambiente
O
BID empresta mais de nove bilhões de dólares ao ano
para projetos na região das américas, e muitos deles
têm impactos socioambientais graves. Os projetos do BID
raramente cumprem com suas frágeis exigências, e menos
ainda com as exigências sugeridas por movimentos
ambientalistas, indígenas, movimentos dos atingidos por
barrragens, outras populações impactadas e a sociedade
civil no geral. Abaixo seguem alguns exemplos:
Programa
de Desenvolvimento do Turismo – PRODETUR:
O BID entende que o eixo dinamizador do
desenvolvimento econômico para o Nordeste é o Turismo.
Daí, ele financia o Prodetur I e II, centrado em grandes
equipamentos: aeroportos, resorts, complexos turísticos
nas praias, dentre outros.Sem participação, sem
planejamento integrado, sem estudos completos de impactos ambiental,
social, de gênero, classe e etnia. Esse modelo de turismo tem
gerado emprego de péssima qualidade, sem garantias
trabalhistas e benefício duvidoso às mulheres, porque
reforça o status que lhes
é socialmente atribuído, além de contribuir para
a utilização do corpo das mulheres como forma de atrair
divisas para o desenvolvimento através de imagens, associadas
à prostituição infantil. O
Prodetur tem sido visto e administrado pelos governos como se fosse
do interesse tão somente de grupos políticos e de
empresas privadas, onde a competitividade passa por cima da questão
social e ambiental.
A
Iniciativa de Integração da Infra-strutura da América
do Sul - IIRSA:
Na perspectiva de uma atuação
mais agressiva, técnica e financeiramente no que se refere a
uma integração hemisférica, o BID tem investido
bilhões e coordena a Iniciativa de Integração da
Infra-estrutura da América do Sul – a IIRSA. Este
plano de integração envolve
as áreas de transporte; energia e comunicações.
Isso quer dizer que serão construídas grandes obras de
infra-estrutura com o objetivo de tornar a região mais
competitiva no mercado internacional. A IIRSA pretende superar os
obstáculos naturais da região como a Floresta
Amazônica, o Pantanal e a Cordilheira dos Andes, pois de acordo
com os defensores dessa iniciativa, a região não se
desenvolve porque é formada por “ilhas” que não se
comunicam. Essas grandes obras envolvem a abertura e pavimentação
de estradas; construção de hidrelétricas e
ampliação da rede de energia (não só pela
energia a qual não beneficiará quem precisa, mas para
tornar os rios navegáveis); construção de
eclusas, entre outras. Para isso, deverão
ser deslocadas populações indígenas e
tradicionais, desmatadas grandes áreas de florestas e
excluídas populações locais do desenvolvimento
regional, beneficiando empresas, construtoras, empreiteiras e o
agronegócio da soja e algodão transgênicos, para
serem exportados para a América do Norte, Europa e Ásia.
Hidrelétrica de Cana Brava
Em
2000, o BID aprovou financiamento de US$
165 milhões para a empresa Tractebel Energia SA.
(Suez-Tractebel desde outubro 2003) para a construção e
operação da barragen de Cana Brava que fica no Rio
Tocantins entre os municípios de Cavalcante e Minaçu no
Estado de Goiás. Como resultado da construção
dessa barragem, 946 famílias foram retiradas da área de
alagamento da barragem, mas apenas 123 foram indenizadas. Essas
famílias foram expulsas pela formação do lago.
São agricultores e mineradores que trabalhavam na área.
Além disso, não
houve preocupação ambiental por parte da Tractebel.
Além
de ocupar a sede do BID três vezes (a última em 2005) e
ter um acampamento constante na área da própria
barragem, o Movimento de Atingidos por
Barragens (MAB)
impactado pela construção da Hidrelétrica
de Cana Brava, entrou com um pedido ao Mecanismo de Investigação
Independente (MII) do BID (em maio e julho de
2002), argumentando que o Banco não cumpriu sua
política energética e de reassentamento, não
supervisionou a implementação do projeto nem atendeu às
demandas dos impactados de forma adequada.
Só
em 2006, quatro anos depois, o BID divulgou um resumo do relatório
do seu Mecanismo de Investigação
sobre Cana Brava. Para evitar brigas com a Tractebel/Suez, o BID se
negou a publicar o relatório inteiro, alegando que a sua
Política sobre Acesso à Informação
permite que o Banco deixe de divulgar informações
"identificadas como confidenciais ou sensíveis" ou
que possam "afetar negativamente as relações entre
os países membros e o Banco ou entre clientes do setor privado
e o Banco, se divulgadas".
Conclusões do Mecanismo divulgadas:
1.
As populações indiretamente atingidas não foram
adequadamente identificadas;
2.
O PRI (escritório do setor privado do BID) foi lento a
responder a necessidade de Auditoria Social;
3.
O Banco errou em não intervir para identificar garimpeiros e
outros elegíveis para indenização;
4.
O BID aprovou um plano de reassentamento incompleto em áreascriticas e os funcionários
do Banco prepararam um Plano de reassentamento sem seguir as
recomendações do Comitê do banco de Impactos
Ambientais e Sociais.
Esse
exemplo serve para nos mostrar não só que o BID
financia projetos de graves impactos socioambientais, mas mostra
também que o Banco não tem transparência, não
respeita seus próprios critérios, seu Mecanismo de
Investigação Independente não serve para muita
coisa e ainda privilegia as empresas em detrimento das populações.
O
BID e a Dívida Externa
A dívida dos chamados
países do Sul é assustadora, como é também,
o ritmo do seu crescimento. Apesar dos altos impostos cobrados em
países como o Brasil, recursos para o investimento social
efetivo, para além dos programas compensatórios
fracassados, têm se mantido em níveis insuficientes para
melhorar a vida da população. Como fruto da política
econômica imposta pelas IFIs, os recursos existentes são
alocados para pagar os juros da dívida, sem que seja levado em
consideração o seu custo social. Em 30 de setembro de
2005 a dívida externa total geral do Brasil era R9 bilhões.
Desse total, a “dívida” com o BID era a seguinte:
Dívida Externa do Brasil com o BID (posição em 30.09.2005)
|
Total da dívida com o BID |
Setor Publico |
Setor Privado |
|---|---|---|
|
US$ 11, 291 milhões |
US$ 10, 393 milhões |
US$ 898 mil |
Fonte:
Banco Central
Isso representa em torno de 6% da
dívida externa total. Este valor pode não parecer
muito, mas o maior problema da dívida é o uso dela como
instrumento de dominação, de um neocolonialismo - Nos
cobram uma dívida que já pagamos várias vezes,
nos emprestam recursos para que possamos pagá-la, mas para
emprestar impõem condicionalidades, que resultam na
implementação de políticas que geram uma dívida
socioambiental impagável da qual somos os verdadeiros
credores.
O
fluxo de financiamento do BID nos últimos anos, mostra que na
verdade, nosso saldo - a transferência real de recursos - com o
Banco, na maioria das vezes é negativo – pagamos mais de
juros do que recebemos de empréstimo!:
Fluxos Financeiros do banco Interamericano de Desenvolvimento
Em US$ Milhões
|
ANO |
Desembolso |
Amortização |
Juros e Comissões |
Transferência (desembolso – amortização e juros) |
|---|---|---|---|---|
|
2003 |
1.092 |
2.032 |
750 |
- 1.690 |
|
2004 |
481 |
1.859 |
551 |
-1.929 |
|
2005 |
1.435 |
731 |
493 |
211 |
|
2006* |
15 |
66 |
34 |
-85 |
*
até janeiro de 2006
Fonte:
Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do
Planejamento. Orçamento e Gestão (SEAIN)

Contatos




