CAF - Corporação Andina de Fomento:
A Corporação Andina de Fomento (CAF) é uma instituição financeira multilateral com sede em Caracas cujos acionistas são os países da Comunidade Andina de Nações (CAN), formada pela Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Também possuem uma participação acionária na CAF o Brasil, Argentina, Costa Rica, Chile, Espanha, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e 22 bancos privados da região.

A CAF iniciou suas atividades em 1970. O seu presidente, há 13 anos, é o boliviano Enrique Garcia, formado em economia nos EUA, com passagens pelo governo de seu país, pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. É o nome mais cotado para substituir o uruguaio Enrique Iglesias à frente do BID.

O Brasil aderiu à CAF em 1995, por meio da compra de 2.700 ações, destinada a países extra-regionais. Já em 1998, o Brasil promoveu o primeiro aumento de sua participação acionária na CAF, adquirindo mais 2.512 ações e detendo hoje, 5.212 ações.

Entre 1996 e 2001, a CAF aprovou financiamentos ao Brasil da ordem de 1 bilhão de dólares para projetos como o gasoduto Bolívia-Brasil e a pavimentação da BR-174, nos Estados de Amazonas e Roraima, bem como para projetos de financiamento do comércio exterior com países da Comunidade Andina.

A área de atuação da Corporação Andina de Fomento são os países da Comunidade Andina (um bloco regional com mais de 113 milhões de habitantes divididos entre a Bolívia, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela). Os países integrantes da Comunidade Andina, à exceção do Equador, fazem fronteira com o Brasil e com eles compartilham o patrimônio da região amazônica, onde há interesse em abrir novas possibilidades de comércio.

A IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana)

A IIRSA reúne o Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Os governos destes países, das grandes empresas privadas e dos Bancos Multilateral pretendem integrar toda essa região. A CAF financiou 35 projetos de infra-estrutura de transportes, energia e telecomunicações por um montante próximo a US$ 2 bilhões, o que implica investimento de cerca de US$ 7 bilhões. A infra-estrutura representa mais de 75% da carteira de financiamento da CAF. Enrique García, o presidente da Corporação Andina de Fomento, sonha com muito mais que pontes e rodovias quando pensa na integração sul-americana, da qual a sua instituição, uma espécie de BNDES dos países andinos, é a principal fonte de financiamento.

A Integração dessa infra-estrutura é a forma de superar os “obstáculos naturais” e tornar os países da região mais competitivos no mercado internacional. A Amazônia, por exemplo, é vista como uma grande oportunidade de negócios, já que ela aproxima diversos países. A IIRSA vai manter a Amazônia como um grande corredor de exportação de produtos de outras regiões do Brasil e de outros países, e suas riquezas continuarão sendo exportadas, sem garantir que a qualidade de vida de quem mora aqui melhore. O problema da IIRSA é que ela não foi pensada para beneficiar o plantador de feijão, arroz e milho, mas sim, as grandes empresas e bancos do Brasil, associados à poderosos grupos econômicos do exterior.