BID condenado a deixar o Brasil:

INFORME No. 13 ( 19/03/2002 )
              
     
Júri Popular simulado pelos Sindicatos, Rede Brasil, Estudantes e Movimentos Sociais, leva o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para cadeira do réu, no auditório do Curso de Direito da Universidade Federal do Ceará. O julgamento marcou final das manifestações da sociedade realizadas paralelamente ao encontro da Assembléia Anual do BID, que ocorreu em Fortaleza/Ce/BR, no período dos dias 7 a 13 de março.

Condenado por unanimidade pelo corpo de jurados e pelas 200 pessoas que compareceram no auditório, o BID foi condenado por aumentar os problemas sócio-ambientais, junto à falta de transparência na sua política de financiamento e falta de democracia. O réu foi condenado e teve como pena não só deixar o Brasil, mas sim toda a América Latina.Para Magnólia Azevedo Said (Coordenação Nacional da Rede Brasil), que representou o papel da Juíza, os testemunhos dos jurados foram sobre as ações do BID no Estado do Ceará. “O corpo de jurados é formado por representantes da sociedade civil e as 7 testemunhas vão expressar, dentro de sua área especifica de trabalho, como estão acontecendo os impactos da política do BID no Brasil”.

O BID, condenado pelos ambientalistas pela sua política de desenvolvimento que vem destruindo o meio ambiente, foi acusado pelo testemunho de Pedro Ivo Batista (Instituto Terrazul). “Desde seu surgimento o BID vem causando destruição da natureza, várias conferências feitas pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao longo dá história mostra bem claro a verdadeira cara, deste banco. Sua política de desenvolvimento é insustentável, não é possível manter esse padrão, em que 20% do mundo consuma 86% dos recursos naturais”, relatou em seu testemunho.

Após julgamento simbólico do BID, cerca de 200 manifestantes saíram do auditório do curso de direito da Universidade Federal do Ceará, com vassouras, apitos, panelas nas mãos, circulando pelas as ruas do centro até a praça do Ferreira varrendo, em ato simbólico, o BID e sua política feita na América Latina.

“Estamos aqui para limpar o Brasil do BID, em sinal de protesto, vamos queimar a bandeira dos Estados Unidos dentro de um caixão para espantar todo imperialismo americano no nosso país”, relatou a estudante de ciências sociais, Aleksandra Previtalle.
Para Francisco Ibiapino, diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a varredura do BID no Brasil, não só representa o fim da opressão que toda a população de Fortaleza/CE sofreu na realização da Assembléia Anual do BID na capital cearense, mas também a esperança de uma sociedade mais justa, de um país melhor.

“Tanto o julgamento, como ato de varredura do BID do Brasil, são muito importantes. A juventude do nosso Estado está se organizando e assumindo conscientemente seu papel na sociedade, eles participaram ativamente das atividades paralelas ao encontro oficial do BID, isso mostra a insatisfação da nossa juventude em relação a esses bancos que degradam a moral, o meio ambiente e nossa cultura. Portanto, atos deste tipo são fundamentais para que se construa uma sociedade menos injusta com seus irmãos”, declarou Ibiapino.