BID condenado por falta de transparência e democracia.:

INFORME No. 10 ( 14/03/2002 )
             
O Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID) foi condenado ontem à tarde em julgamento simbólico realizado no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará(UFC), em Fortaleza, por representantes de Organizações não-governamentais, entidades sindicais, instituições ambientalistas, estudantes e movimentos sociais. A coordenadora da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, Magnólia Said, no papel de juíza, comunicou a sentença unânime do júri popular, integrado por representantes dos mesmos grupos,declarando o BID “culpado, por desrespeitar a liberdade de expressão, por falta de transparência e democracia em suas ações, por desrespeito à autonomia dos povos, por financiar programas que promovem a degradação humana e da natureza”.

A pena foi a execração pública num “vassouraço”, promovido pelos participantes do encontro às 17 horas na Praça do Ferreira, para varrer simbolicamente as atividades do BID do Brasil e da América Latina e do Caribe, por ir contra aos interesses da sociedade civil e em favor dos interesses do sistema financeiro internacional e das grandes corporações multinacionais. Mais de 200 pessoas se reuniram na praça, com vassouras na mão, panelas e apitos, para queimar um caixão, simbolizando a condenação do BID. O ato final da programação da Agenda da Sociedade Civil, promovida pela Rede Brasil, que envolveu eventos críticos à atuação da instituição financeira internacional de seis a 13 de março, teve o duplo significado, pois marcou a volta do povo ao local, fechado ao público, durante da 43ª Reunião Anual de Governadores do BID, que aconteceu no mesmo período no Centro de Convenções da capital cearense.

A coordenadora da Rede Brasil, Magnólia Said, avaliou no ato público de encerramento na Praça do Ferreira, os resultados da programação alternativa da Agenda da Sociedade Civil:

- Trouxemos a público realidade do BID, que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não doa dinheiro ao país, pois empresta dinheiro a juros altos. Por trás das ações das Instituições Financeiras Multilaterais, como o BID, o Banco Mundial(Bird) e o Fundo Monetário Internacional(FMI), existe a imposição aos governos dos países de uma política neoliberal, privatizante, atendendo aos interesses do sistema financeiro internacional, dos Estados Unidos e de grandes corporações multinacionais. Nossas ações trouxeram um trabalho de conscientização neste sentido, revelando a falta de transparência e de democracia no banco e nas demais Instituições Financeiras Multilaterais. Por outro lado, movimentos do campo e da cidade se uniram numa ação política de âmbito internacional, que passará a pesar na discussão da ALCA(Associação de Livre Comércio das Américas). O Ceará é o estado que toma mais dinheiro do BID, que o considera sua “menina dos olhos”. Por isso, as manifestações paralelas ganharam aqui um significado importante, revelando a verdade acobertada pela propaganda oficial do governador cearense Tasso Jereissatti e do presidente Fernando Henrique Cardoso – concluiu a coordenadora da Rede Brasil.


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