Reforma agrária: participação pública é a saída:

INFORME No. 2 ( 05/02/2002 )
       

Mudança e transparência, aliadas à participação pública é o que pretende o antropólogo e representante da ONG norte-americana, "Environmentaldefense" com sede em Washington. Schwartzman acredita que os projetos apoiados pelo Banco Mundial não são eficazes. Ele considera que as estratégias e políticas das Instituições são definidas sem a participação direta das organizações que podem ser beneficiadas com o investimento. No Brasil, Schwartzman, entende que a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais (IFMs) conseguiu bloquear o processo no Banco Mundial. "Na década de 80, o objetivo das verbas destinadas por esta instituição não era o beneficiado. Depois de uma ação da Rede Brasil, conseguimos que as verbas fossem liberadas somente para projetos de desenvolvimento sustentável", considerou.

Mas, segundo ele, ainda assim, os projetos não têm alcançado seus objetivos. No início da década de 90 um projeto direcionado aos estados do Nordeste dispunha de US$ 90 milhões de dólares. "O dinheiro foi disponibilizado entre 1997 e 1998, anos que a região obteve caos climático e as associações não sabiam sequer os procedimentos para acessar a verba", relatou. O segundo problema ocorrido com o "piloto" nordestino, que destinava US$ 1 bilhão do Banco e mais US$ 1 bilhão do governo federal, foi a falta de informação sobre a realidade e a má adequação à realidade da área. Em uma ação da Rede Brasil, em 1999 o Congresso brasileiro buscou informações sobre o projeto e, juntamente com os diretores executivos do Banco Mundial, suspenderam a experiência nacional.

Schwartzman disse que é necessário unificar experiências para acompanhar as estratégias e ajudar a redefinir as políticas destas Instituições. "É para isso que estamos aqui no II Fórum Social Mundial". Steve Schwartzman é um dos palestrantes da oficina "Visões críticas sobre as políticas e estratégias das instituições financeiras multilaterais" , que acontece no dia 3 de fevereiro, das 14h às 18h, na sala 701 do prédio 11 da PUC, em Porto Alegre. O evento é promovida pela Rede Brasil e faz parte da programação de debates do II Fórum Social Mundial.

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