Histórico:

A constituição da Rede Brasil, em 1995, foi resultado de dois anos de debate e avaliação crítica entre diversas organizações e movimentos sociais sobre a atuação das instituições financeiras multilaterais (IFMs) no Brasil.
Identificou-se a amplitude, a diversidade e a complexidade do conjunto de problemas em diferentes setores compreendendo políticas e projetos do Governo brasileiro com financiamento e assistência de IFMs, como Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, identificou-se a ausência de mecanismos que favorecessem o enfrentamento destes problemas através de processos nacionais. Era necessário compreender o tratamento de políticas e projetos financiados por IFMs no país como uma questão de interesse nacional, com ênfase nas responsabilidades das várias partes direta e indiretamente envolvidas, no Governo e nas IFMs.

Tal percepção levou à avaliação de que ações conjuntas ou articuladas da sociedade civil junto às IFMs e ao Governo brasileiro poderiam contribuir para a formação de tais mecanismos e apresentar resultados mais amplos e eficazes para o enfrentamento e a superação dos problemas identificados do que iniciativas individuais, fragmentadas e dispersas, como vinha ocorrendo até aquele período.

A Rede Brasil foi então concebida basicamente para:

i) Propiciar a socialização de informações sobre políticas e projetos, fortalecendo o engajamento de grupos sociais interessados, afetados ou beneficiados, seus representantes e organizações da sociedade civil em geral,

ii) Servir como um fórum coletivo de discussão sistemática e permanente e facilitar a formação de consensos sobre as várias problemáticas identificadas;

i) Subsidiar a articulação entre organizações da sociedade civil no país para ações e intervenções frente ao Governo e as IFMs;

ii) Contribuir para o estabelecimento de canais de interlocução com o Governo e as IFMs sobre questões relativas a políticas e projetos de desenvolvimento.

A partir de sua última Assembléia Geral, realizada em agosto de 2007, a Rede Brasil passou a reunir 82 organizações filiadas, com o objetivo comum de acompanhar e intervir em questões relativas às ações de instituições financeiras multilaterais - IFMs no Brasil, como o Grupo Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e o Fundo Monetário Internacional – FMI. Além disso, a Rede Brasil monitora as ações de outros agentes financeiros, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e a Corporação Andina de Fomento (CAF).

O conjunto de organizações filiadas inclui movimentos sociais, entidades sindicais, institutos de pesquisa e assessoria, associações profissionais e ONGs de todas as regiões do país, com atuação em âmbito local, regional e nacional. Essas organizações trabalham em diversos temas e setores das políticas públicas, como educação, saúde; trabalho; seguridade social; infância; infra-estrutura; meio ambiente; agricultura; reforma agrária; urbanização, e planejamento econômico, entre outros.

A instância decisória máxima da Rede Brasil é sua Assembléia Geral, à qual cabe, entre outras ações, rever, discutir e aprovar os programas de ação, eleger os membros da coordenação e decidir sobre novas filiações.