Estamos
estarrecidos e indignados com o comportamento autoritário e
antidemocrático com que o governo estadual e municipal vem
tratando os movimentos sociais. Exatamente os governos que tem a
responsabilidade de garantir o direito constitucional da livre
manifestação e organização, têm
cerceado este direito.
A
articulação de entidades da sociedade civil e
movimentos sociais brasileiros, desde janeiro vem se organizando para
fazer o Encontro por um Projeto Popular para o Brasil e contra o
caráter nefasto do Banco Interamericano de Desenvolvimento e
das Instituições Financeiras Multilaterais. São
mais de 3.000 participantes vindos de todas regiões de Minas e
de Belo Horizonte. Procuramos organizar um evento que pudesse, de um
lado, fazer a formação através de debates,
painéis, mesas redondas, com temas como: as Instituições
Financeiras Multilaterais, a Transposição do Rio São
Francisco, a Agroecologia o Modelo Energético e pela Redução
da Tarifas de Energia Elétrica, que pudessem contribuir para a
elaboração de Um Projeto Popular para o Brasil. De
outro lado, fazer manifestações que pudessem dar
visibilidade aos temas em debate. Teremos assim, a Marcha de
Abertura, Atos Públicos durante todo o dia 3 e para encerrar,
no dia 4, o Tribunal Mineiro dos Crimes do Latifúndio.
Desde
o início, contatamos a PBH, o Governo do Estado e a UFMG para
a liberação de espaços para o evento.
Solicitamos da PBH Escolas Municipais, Espaço Miguilim e Praça
da Estação. E da UFMG o Centro Cultural e a Escola de
Engenharia todos estes, espaços historicamente concedidos a
sociedade para realizar seus encontros. Após a primeira
negativa da PBH, não liberando nenhum dos espaços
solicitados, adequamos nossa atividade e solicitamos o quarteirão
fechado da Guaicurus. Solicitamos também, do Governo do
Estado, as Escolas. E, para nosso espanto, nos últimos dias,
todos os pedidos foram negados.
O
mais chocante é o contraste. De um lado, tudo para o BID mesmo
afetando toda a vida da população, cerceando a
liberdade e a circulação, maquiando a cidade,
alardeando gastos de 60 milhões pela PBH e 150 milhões
pelo Estado. Isto, sem computar os milhões gastos com
publicidade para convencer a população de que o BID é
uma dádiva para os mineiros. Uma propaganda que induz a
subserviência ao grande capital internacional, sugerindo que o
povo chegue ao cúmulo de carregar um tapete vermelho para que
os representantes do BID possam pisar, buscando reproduzir a
subserviência dos governos. De outro lado, a negativa total
para os movimentos impedidos de usar até o quarteirão
fechado, buscando inviabilizar a divulgação de um
pensamento diferente. Uma clara imposição de um
pensamento único.
Esta
é uma situação absurda em que o Estado ao invés
de defender os interesses da sociedade, coloca todas as suas
instituições, a serviço dos interesses do grande
capital. O evento organizado pelos Movimentos Sociais de Minas Gerais
tem como objetivo denunciar aos mineiros e ao mundo, os crimes
cometidos contra os países subdesenvolvidos e em
desenvolvimento provocada pelo modelo imposto através das
instituições financeiras multilaterais, desenvolvido
nos anos 80 quando condicionam os investimentos do BIRD e BID à
realização de ajustes estruturais, tais como a abertura
comercial e as privatizações como agora se busca fazer
com as águas. Que resultaram no aumento da desigualdade social
e nos pífios crescimentos conseguidos pelo Brasil na última
década.
A
política econômica tem provocado cortes inadmissíveis
nas despesas públicas essenciais para a sobrevivência da
maioria da população, ao mesmo tempo em que tem elevado
os recursos destinados ao pagamento das dívidas – interna e
externa – beneficiando diretamente banqueiros e rentistas.
A
reunião do BID no Brasil com os chefes de Estado deveria
respeitar um princípio democrático construído a
duras penas neste país: o da organização social.
No Brasil existem inúmeras organizações no meio
estudantil, nos movimentos sociais de luta pela terra, no meio
sindical, ambientalista e nas igrejas que se constituem no bem maior
da democracia. Qualquer projeto para o desenvolvimento econômico
ou social precisa respeitar a participação da
população.
Por Respeito a Livre Manifestação e a Liberdade de Pensamento – Fora BID
Pela Redução da Tarifa de Energia Elétrica - FORA BID
Por
Um Projeto Popular para o Brasil – Fora BID
Assinam
esta carta um conjunto extremamente amplo e diverso de organizações
que manifestam os interesses da grande maioria da sociedade excluída
do desenvolvimento proposto pelo BID, BIRD e BM. Exigimos a garantia
de nossos direitos e o respeito às diferenças.
Fórum
das Pastorais Sociais/CNBB
Via
Campesina
Central
Única dos Trabalhadores – CUT
Coordenação
Nacional de Lutas – Conlutas
Articulação
Mineira de Agroecologia – AMA
Comitê
Mineiro do Fórum Social Mundial
Fórum
Mineiro de Economia Popular Solidária- FMEPS
Articulação
do Semi-árido Mineiro – ASA
Fórum
Mineiro de Segurança Alimentar – FMSAN
Fórum
Mineiro de Reforma Urbana

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