Comunidades indígenas, ONGs e populações ribeirinhas discutem em Porto Velho a proposta de construção do Complexo do rio Madeira:

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Povos indígenas, populações que moram nas margens do rio Madeira e ONG’s de todo o País estão reunidos na cidade de Porto Velho (RO), de 04 a 06 de maio, para debater sobre o Projeto do Complexo do rio Madeira.
Os povos indígenas, com presença ativa no evento, reivindicam os seus direitos sobre as suas terras. Segundo dados divulgados por especialistas que participam do evento, são aproximadamente 3 mil comunidades indígenas que estão ameaçadas com a proposta de construção das duas hidrelétricas no rio Madeira. De acordo, com o indígena Zacarias da tribo Gavião, a construção de hidrelétricas atingi diretamente as reservas indígenas, pois inundando as florestas, os índios perderão a sua história. “São cemitérios
tradicionais que preservam a história do índio, áreas arqueológicas que não foram estudadas, tudo isso destruído não teremos mais futuro”, afirma Zacarias. Durante o evento, um líder da tribo Gavião interrogou se o IBAMA está cumprindo a Lei para proteger o Meio Ambiente, e afirmou “Eu sou o IBAMA, eu protejo a minha terra, o Meio Ambiente”, concluiu o líder.
Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA), afirmou que o planejamento energético e os estudos de impactos socioambientais realizados pelo governo não incluem alternativas de geração de energia como fontes renováveis. Ela defendeu ainda que os responsáveis pela avaliação dos impactos socioambientais deveriam ser as comunidades ameaçadas e não especialistas.
“No momento a preocupação destes povos não são nem ouvidas”.
As usinas do Rio Madeira serão construídas em uma região de grande importância por sua biodiversidade. A construção afetará cerca de 700 espécie de peixes e 800 espécie de aves, disse Glenn Switkes, da International Rivers Network, além de atingir tribos indígenas arredias, que não tem contato com a sociedade. Segundo ele, estas tribos não estão incluídas nos estudos de impactos ambientais do Ministério do Meio Ambiente para a efetivação do licenciamento ambiental.
O governo, representado pelo Ministério do Meio Ambiente, apresentou, no evento, um projeto de transformação no planejamento energético para a construção de futuras hidrelétricas. Entretanto, segundo Glenn, este planejamento que envolve uma avaliação ambiental integrada não inclui os velhos projetos como o Complexo do Belo Monte, no rio Xingu e o Complexo do rio Madeira, os quais, se construídos, fornecerão 60% da energia para o País.
De acordo com Glenn, a alta demanda de energia para o povo brasileiro “é um negócio para inglês ver” pois na verdade a energia serve às indústrias eletrointensivas.
Fabrina Furtado, assessora política da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, falou do papel das Instituições Financeiras, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na construção de hidrelétricas.
“Ao aliar a idéia de investimento de infra-estrutura como condição para o desenvolvimento e progresso estas instituições mascaram e aprofundam as verdadeiras causas dos problemas que enfrenta o nosso país, como desigualdade social e dependência externa da nossa economia”. Fabrina lembra ainda que o BNDES pretende financiar entre 30 a 40% da obra, isso significa um valor entre 6 a 8 bilhões de reais.
O evento está acontecendo, hoje, no auditório do SEST/SENAT e amanhã acontecerá no Centro Arquidiocesano de Pastoral (CAP), em Porto Velho.