O
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deveriam ser
responsabilizados pelos danos causados pela barragem de Cana Brava
(GO), defende a secretária executiva da Rede Brasil (rede de
ONGs que monitora Instituições Financeiras
Multilaterais) Fabrina Furtado. "Queremos que o BID e o BNDES
responsabilizem a empresa pelos danos ocorridos. Há danos
irreparáveis", salientou.
De acordo com o MAB, há
quatro anos, foi feito um pedido de instalação do
Mecanismo de Investigação Independente do BID, para
analisar os impactos sociais e ambientais causados pela instalação
da usina hidrelétrica. Nos últimos dias, o BID divulgou
um relatório com os resultados dessa investigação.
O
Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) reclama que, além
do texto ter sido divulgado apenas em inglês, teve trechos
omitidos. De acordo com o MAB, o BID suprimiu algumas partes para
evitar impasses com a Tractebel Suez, empresa belga responsável
pelas obras.
O coordenador do MAB na região de Cana
Brava, Agenor Costa e Silva, afirmou que essa investigação
independente do BID coletou "as únicas informações
que poderiam ajudar as famílias da região". De
acordo com ele, das 946 famílias retiradas da área de
alagamento da barragem, apenas 123 foram indenizadas. Silva disse
que, em sinal de protesto, elas se revezam em um acampamento próximo
à barragem. "Essas famílias foram expulsas pela
formação do lago. São agricultores e mineradores
que trabalhavam na área", ressaltou.
Segundo o
coordenador, não houve nenhuma preocupação
ambiental por parte da Tractebel. Ele afirmou que a empresa não
realizou o desmatamento e a retirada de animais foi feita
parcialmente: "Toda a vegetação foi degradada. As
famílias estão alimentando os animais que ficaram
ilhados".
De acordo com a assessoria de comunicação
do BID, o banco possui uma política de acesso à
informação que garante o sigilo de informações
consideradas confidenciais ou que possam "afetar negativamente
as relações entre os países membros e o Banco ou
entre clientes do setor privado e o Banco". O BID afirma ter
concedido US$ 160,2 milhões em empréstimos para a
conclusão do projeto. A secretária executiva da Rede
Brasil disse que, para não ser punida pelo BID, a Tractebel
adiantou o pagamento da dívida em 2005.
Em reunião
realizada nesta sexta-feira (10), em Brasília, o BID, o MAB, o
Ministério de Minas e Energia e as empresas de energia
elétrica Tractebel, Furnas Centrais Elétricas e a
Companhia Paulista Força e Luz e estabeleceram a criação
do Fundo Social de Desenvolvimento Regional para assistir a região
das barragens Cana Brava e Serra da Mesa (GO). O Banco doou US$ 1,1
milhão para auxiliar o desenvolvimento da região. A
Tractebel doará US$ 500 mil para a região de Cana Brava
e a Furnas Central Elétrica e a Companhia Paulista Força
e Luz contribuirão com US$ 250 mil cada uma para a região
da Serra da Mesa.
Fonte: 10 de Fevereiro de 2006 - Agência Brasil e Jornal do Norte

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