Igor Ojeda - da Redação Jornal Brasil de Fato
A partir do ano 2000, o Banco Mundial começou a tratar a pobreza de uma maneira um pouco mais abrangente, tomando-a como um fenômeno de múltiplas dimensões. Ou seja, ser pobre passou a significar ter uma série de privações, e não apenas uma questão monetária. No entanto, a forma de medir a pobreza não mudou. Assim como não se alterou também a principal forma de atacá-la: a famosa mão invisível do mercado. “Do ponto de vista doutrinário, o Banco Mundial atribui todo o problema de pobreza ao não funcionamento do mercado dentro de uma economia capitalista.
Ou seja, se o mercado funcionar adequadamente, resolve tudo”, explica o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior. Levando em conta essa visão, só restariam duas medidas a ser adotadas. A criação de políticas compensatórias focalizadas, para que o indivíduo esteja capacitado para se inserir na economia. E, a partir daí, o fortalecimento do mercado, elemento gerador de desenvolvimento.
Marcus Faro, da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, critica essa concepção: “A experiência demonstra que isso não é verdade. Pode-se ter crescimento sem distribuição de renda”.
O economista Márcio Pochmann concorda e cita as limitações das políticas de transferência de renda: “Além de ser uma visão individualista, não prevê outras medidas, como acesso a bens e serviços; e tem o pressuposto ideológico de fortalecer o setor privado”. Para Marcus Faro, programas como o Fome Zero, do governo federal, alinham-se à visão do Banco Mundial. “É uma política que não distribui poder econômico, capital, tecnologia. Distribui apenas renda”, diz. Faro cita, ainda, como recomendações do Banco Mundial para acabar com a pobreza a privatização dos serviços públicos e a liberalização comercial, financeira e cambial.
“Estão operando um processo de reversão neocolonial. Em vez da economia para o mercado interno, uma economia voltada apenas para fora. Amplia-se a pobreza, o desemprego, se enfraquece o Estado e suas capacidades de atender ao povo brasileiro”, alerta Sampaio Júnior.
De fato, no Relatório de Monitoramento Global de 2004, preparado pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que trata de “como avançar no alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio (objetivos assumidos em 2000 por 189 países)”, são sugeridas algumas medidas. Entre elas: os países pobres devem “melhorar o clima favorável para a atividade do setor privado”, enquanto as nações ricas devem garantir o sucesso da Rodada de Doha, pacotes de medidas de liberalização comercial no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

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