O debate desta manhã, no Complexo Teresa Carreño, foi aberto por David Abdullah, do Sindicato dos Trabalhadores de Petróleo de Trinidad e Tobago. Depois de uma exposição sobre a situação precária dos países caribenhos, Abdullah manifestou sua preocupação com a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que poderia resultar na destruição da produção local. Para o sindicalista, a sociedade civil deve procurar intervir nesse processo. “O diálogo é fundamental. Não apenas no nível dos governos, mas também no nível dos movimentos sociais”, afirmou.
O mexicano Gustavo Castro, do Centro de Investigações Econômicas e Políticas de Ação Comunitária, fez um panorama das conseqüências da atuação do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para os campesinos e os indígenas do México. “O mecanismo de endividamento é um facilitador das políticas neoliberais”, disse. A Alca, denunciou, segue lado a lado com um modelo militar que pretende garantir a posição norte-americana no continente, com a integração das forças armadas de diversos países.
O agricultor Victor Nzuzi, do Congo, emocionou a platéia, que aplaudiu demoradamente seu pronunciamento sobre a deplorável situação dos países africanos, cada vez mais condenados à miséria, após séculos de exploração. “No Congo temos diamantes, minério, manganês... mas as empresas que exploram essa produção foram privatizadas. Nos cortaram os braços e as pernas e nos disseram: 'vocês estão livres'. Que democracia é essa, se as instituções financeiras internacionais é que estão impondo suas regras? Estamos no mesmo combate que a América Latina trava contra a Alca, por isso precisamos dar as mãos”, convocou.
Emocionada com o discurso inflamado do agricultor
congolês, Sandra Quintela, da campanha Jubileu Brasil,
sublinhou a tristeza por ver um continente tão rico como o
africano ser cada vez mais destruído. Exibindo manchetes de
jornais brasileiros que destacavam o impulso para a economia mundial
logo após o início da guerra no Iraque e as
expectativas otimistas diante do crescimento do desemprego nos
Estados Unidos, ela observou: “Vivemos um modelo econômico
abastecido pela guerra, pelo desemprego, pela mercantilização.
Não se pode avançar em questões importantes por
temor ao mercado”, disse. “Não se pode fazer reforma
agrária ou combater a exclusão, por causa desse 'deus'
que paira sobre as nossas cabeças e sustenta todas as
atividades humanas”. Para Sandra Quintela, a alternativa
bolivariana para as Américas, que se apresenta cada vez mais
forte com a eleição de Evo Morales na Bolívia,
terá de enfrentar o desafio de construir uma estratégia
conjunta de luta contra as instituições financeiras
multilaterais.

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