Cristiane
Ribeiro.
Repórter da Agência Brasil
Porto
Velho – Cerca de 2 mil pessoas que vivem às margens do Rio
Madeira, em Rondônia, serão desalojadas com a construção
das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau,
conforme prevê o projeto da construção do
complexo. A população ribeirinha vive da pesca e com o
empreendimento terá que deixar suas casas, que serão
inundadas com a construção da barragem.
Floriza
dos Santos Sá, de 53 anos, que mora com filhos e netos há
mais de 30 anos à beira do Rio Madeira, disse que não
tem condições de pagar aluguel se tiver que sair. "É
bom a gente morar na beira do rio. Para quem é carente e não
tem emprego fixo, a comida na mesa é certa todos os dias".
Os impactos sócio-ambientais do complexo do Rio
Madeira foram discutidos em Porto Velho em encontro que reuniu várias
organizações não governamentais (ONGs) e
movimentos sociais, terminado hoje (6).
Ativistas reunidos no
encontro alertaram que podem ocorrer problemas ambientais. "As
represas que estão previstas atingem o conjunto da Bacia do
Rio Madeira, o maior afluente do rio Amazonas", diz Luiz
Fernando Novôa, representante da Rede Brasileira de Integração
dos Povos (Rebrip). "Ou seja, o Rio Amazonas está em
risco também. Os seus delicados equilíbrios colocados
há milhares de anos podem ser abruptamente destruídos."
O
coordenador do grupo de trabalho (GT) interministerial Usinas do Rio
Madeira, Telton Correia, disse que o projeto tem um complexo processo
de licenciamento ambiental. O pedido de licenciamento ambiental foi
encaminhado ao Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
(Ibama) em junho do ano passado e no início desse ano, o órgão
pediu estudos complementares, que já foram entregues e agora
estão sendo analisados. Contudo, fez garantias de que o
governo está atento às medidas propostas pelos
empreendedores para minimizar os impactos sócio-ambientais.

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