Adital - A cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia, recebe instituições da sociedade civil organizada, movimentos sociais e organizações não-governamentais de todo o Brasil, entre os dias 04 e 06 de maio de 2006, para debater o projeto do Complexo do Rio Madeira, acordos comerciais e modelos de integração na Amazônia Ocidental. Bem como para trazer mais informações sobre os procedimentos do licenciamento ambiental às populações da bacia.
Segundo a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, o Complexo do Rio Madeira, que envolve a construção de pelo menos duas grandes hidrelétricas e a implantação de uma hidrovia para o transporte de cargas de soja e outros produtos, é o maior projeto de infra-estrutura considerado no Brasil nas últimas décadas. Seus impactos sobre o meio ambiente e sobre o modo de vida das populações afetadas tem também enormes proporções.
O objetivo do evento é trazer ao conhecimento público as preocupações da sociedade e dos movimentos organizados e as informações técnicas sobre os impactos deste projeto. Temas como "Os Grandes Projetos na Amazônia - Desvendando a articulação entre a IIRSA (Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul Americana), acordos comerciais e instituições financeiras"; "Os impactos das políticas neoliberais na América Latina e no Brasil e o papel específico das instituições financeiras internacionais"; e "Os projetos de infra-estrutura projetados para a Amazônia, o eixo Brasil-Peru-Bolívia da IIRSA". O PPA e outros projetos, igualmente focados nos fluxos externos, intermediadores da oligopolização da economias serão destaques em debates neste evento em Porto Velho.
Segundo a entidade Amigos da Terra, a indignação com a empresa estatal Furnas, a empreiteira Odebrecht e a Prefeitura de Porto Velho deu o tom dos discursos realizados ontem, 04, na abertura do encontro "Viva o Rio Madeira Vivo". A estatal é acusada de limitar o debate e tentar licenciar o empreendimento na surdina: "Furnas não aparece para discutir o projeto em nenhum evento que não seja deles", afirma Artur Moret, doutor em energia e professor da Universidade Federal de Rondônia, integrante da coordenação do encontro.
Diversos líderes indígenas discursaram, representando suas delegações, e suas falas foram posteriormente traduzidas."Nós estamos aqui para dizer para o governo que nós não queremos que sejam alagadas nossa terra, nossa história, nossos parentes enterrados", afirmou Antônio Papá Gavião.O líder indígena teve sua fala traduzida por Heliton Gavião, cuja etnia habita o igarapé Lourdes, no rio Machado, em Ji- Paraná.
Para Wesley Ferreira Lopes, 26, coordenador regional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a prática da empresa é cínica, desonesta e falsa. "Eles estão fugindo do debate real, estão pegando as pequenas comunidades, como Jaci-Paraná, tentando cooptá-las oferecendo benesses, buscam iludi-los, em troca do apoio à obra, necessário para garantir o licenciamento ambiental".
Com investimentos previstos de R$ 10 bilhões, que serão originários da iniciativa privada nacional, de organismos financeiros internacionais e do governo federal, que prevê ainda a participação em 15% dos estados do Acre, Rondônia e Amazonas, as duas hidrelétricas do Complexo gerariam energia para ajudar a abastecer a Amazônia e o país todo durante a próxima década.

Contatos




