Edla Lula
Repórter da
Agência Brasil
Brasília - O representante da
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras
Multilaterais, Guilherme Carvalho, afirmou que a construção
das usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, no rio
Madeira, em Rondônia, vai afetar "diretamente" a
população ribeirinha.
"Os moradores estão
amedrontados, sem saber para onde vão. Eles, inclusive, sabem
que não serão sequer indenizados", disse,
acrescentando que as comunidades ribeirinhas e povos indígenas
não estão sendo ouvidos no processo.
Carvalho
avalia que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) "erram"
se financiarem a construção das usinas, porque elas não
promovem o desenvolvimento, mas "mascaram e aprofundam" as
desigualdades sociais e dependência externa da economia
brasileira.
"Esse projeto, na verdade, faz parte de um
conjunto de obras que visam viabilizar o transporte de soja pelo Rio
Madeira", disse. "No fundo, está o objetivo de
integração regional e o antigo sonho da integração
da bacia amazônica com a bacia do Prata, favorecendo o corredor
de exportação Norte-Sul".
A representante
do Instituto Socioambiental (ISA), Adriana Ramos, afirmou que o
planejamento energético e os estudos de impactos
sócio-ambientais realizados pelo governo não incluem
alternativas de geração de energia como fontes
renováveis. "No momento, a preocupação
desses povos não são nem ouvidas", observou.
As
usinas serão construídas em uma região de grande
importância por sua biodiversidade. O representante da ONG
International Rivers Network, Glenn Switkes, disse que a construção
afetará cerca de 700 espécie de peixes e 800 espécie
de aves, além de atingir tribos indígenas que não
têm contato com a sociedade. Segundo ele, essas tribos não
estão incluídas nos estudos de impactos ambientais do
Ministério do Meio Ambiente para a efetivação do
licenciamento ambiental.

Contatos




