Cristiane Ribeiro
Enviada
especial
Porto Velho (RO) – Indígenas,
trabalhadores rurais sem-terra, pessoas atingidas por barragens e
representantes de organizações não-governamentais
(ONGs), como o Greenpeace e Amigos da Terra, fizeram hoje (4), no Rio
Madeira, em Porto Velho (RO), uma "barqueata" contra a
construção das usinas hidrelétricas de Santo
Antonio e Jirau.
Em meio ao balé de botos, os barcos
navegaram pelo rio até as corredeiras de Santo Antonio, onde
será construída a barragem da hidrelétrica.
Balões com a inscrição "Deixe a natureza em
paz" foram soltos na água.
Segundo o coordenador
do fórum de debates de energia de Rondônia, Iremar
Antonio Ferreira, que representa as ONGs e os movimentos sociais –
contrários ao empreendimento –, pelo menos 45 municípios
e 22 terras indígenas serão atingidas e três mil
pessoas terão que ser remanejadas das margens do rio.
"Barrar o Rio Madeira hoje significa comprometer uma
diversidade cultural de populações indígenas,
populações ribeirinhas, agricultores, que dependem da
várzea para o plantio e para o seu sustento, além de
comprometer o ecossistema, principalmente, a reprodução
de peixes", acrescentou Irimar Ferreira.
O projeto das
usinas foi desenvolvido por Furnas Centrais Elétricas em
parceria com a construtora Norberto Odebrecht. O pedido de
licenciamento ambiental foi encaminhado ao Ibama em junho do ano
passado e no início desse ano, o órgão pediu
estudos complementares, que já foram entregues e agora estão
sendo analisados. Para o engenheiro Acyr Gonçalves, da
coordenação ambiental de Furnas, o projeto é
viável, tanto do ponto de vista econômico quanto
ambiental e social. Ele explicou que a implantação do
complexo prevê um conjunto de medidas para diminuir os
problemas que podem acontecer.
O encontro – que discute as
conseqüências do complexo com organizações
não-governamentais e movimentos sociais – continua amanhã
e no sábado, com a participação de
representantes dos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e
Energia.

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