Cristiane
Ribeiro
Enviada Especial
Porto Velho – O
arcebispo de Porto Velho, Dom Moacir Grecki, disse que é
preciso observar o "ponto de vista social e ético"
do projeto de construção de duas usinas hidrelétricas
no Rio Madeira. Segundo ele, apesar da Igreja não ter uma
posição técnica, defende que "realmente
sejam feitos estudos sérios sobre a garantia do não-prejuízo
ambiental e dos povos ribeirinhos ou atingidos pela água".
Grecki
disse que ainda não há um posicionamento unânime
da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o
complexo do Rio Madeira, mas que a Igreja está preocupada com
o futuro das populações que vivem às margens do
rio e dependem da pesca para sobreviver.
Ainda segundo Grecki,
o próprio governo deveria promover reuniões com as
comunidades que serão atingidas com a construção
das hidrelétricas para esclarecer dúvidas. "Isto
porque os benefícios para a localidade às vezes são
pura ilusão. Às vezes, mesmo quem mora perto da usina
não tem luz em casa", afirmou.
A CNBB lançou
hoje (4) a edição 2005 do caderno de conflitos no campo
para marcar a abertura das discussões sobre o Complexo Rio
Madeira entre organizações não-governamentais,
movimentos sociais e governo.
Elaborado pela Comissão
Pastoral da Terra, a coleção traz uma coletânea
dos problemas agrários enfrentados por populações
indígenas, quilombolas e trabalhadores sem-terra na região
Norte do país.
O encontro das ONGs e movimentos sociais
sobre o complexo Rio Madeira termina no sábado. Amanhã,
os debates vão contar com a participação de
representantes de Furnas Centrais Elétricas e dos ministérios
do Meio Ambiente e Minas e Energia.

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