O
debate ocorreu pela manhã, com a presença do editor do
Jornal Irohin, Edson Lopes Cardoso, da coordenadora da Área de
Articulação Política e Direitos Humanos da ONG
Fala Preta, Deise Benedito e Ronaldo Santos, do Movimento
Quilombolas.

Edson Lopes durante o debate sobre Raça e Desenvolvimento
Edson
falou ainda sobre o mito da democracia racial. “Não se faz
uma reflexão sobre o que é o racismo e suas
conseqüências. O que cria a desigualdade racial são
realidade dadas e não realidades criadas. As práticas
sociais e o cotidiano são os que reproduzem estes dados.
Ninguém nasce racista, as pessoas aprendem o racismo”,
explica.
“Deveríamos
ensinar às crianças contra o racismo nas escolas, da
mesma forma que ensina-se sobre como atravessar as ruas etc. A mesma
criança que aprende a atravessar a rua, aprende o que é
o racismo. Devemos educar contra o racismo”
Deise Benedito, coordenadora da Área de Articulação Política e Direitos Humanos da ONG Fala Preta participou do debate e abordou a evolução da história das mulheres negras no Brasil, desde a escravidão até os dias de hoje.
Deise Benedito, da ONG Fala Preta
Em
1950, foi criado o Conselho Nacional das Mulheres Negras.
Em
1980, as mulheres negras começaram a discutir a discriminação,
principalmente no mercado de trabalho.
Em
1990, foi criado a Organização da Mulheres Negras,
período em que as mulheres negras conseguiram um salto
positivo em suas conquistas. Sairam da denúncia somente, e
encaminharam para as propostas.
Segundo
Deise, as resistências continuam, com por exemplo: mais de 60%
das mulheres negras são empregadas domésticas e 64% das
mulheres que escrevem em jornais tem mestrado e doutorado, mas não
são absolvidas.

Ronaldo da Silva, representante do Movimento Quilombola
O
economista Marcelo Paixão também esteve presente no
debate. Expôs sobre ‘As desigualdades raciais no Brasil:
análise de indicadores quantitativos e qualitativos. Segundo
ele, o Brasil foi o maior importador de escravizados africanos das
Américas entre os séculos XVI e XIX, o último
país das Américas a acabar com a escravidão e
abriga a segunda maior população negra do Planeta –
75 milhões de pretos e pardos.

Marcelo Paixão em sua palestra para a Rede Brasil
O economista cita em seu discurso um trecho de uma obra escrita em pleno otimismo de meados da década de 1950, sobre o futuro racial da população brasileira, de Fernando Azevedo: “(a) admitir-se que continuem negros e índios a desaparecer, tanto nas diluições sucessivas de sangue branco, como pelo progresso constante de seleção biológica e social e desde que não seja estancada a imigração sobretudo de origem mediterrânea, o homem branco não só terá, no Brasil, o seu maior campo de experiência e de cultura nos trópicos, mas poderá recolher à velha Europa – cidadela de raça branca -, antes que passe a outras mãos, o facho de civilização ocidental que os brasileiros emprestarão uma luz nova e intensa, - a da atmosfera de sua própria civilização”.

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