Trabalhadoras em Educação reunidas durante capacitação da Rede Brasil
Fátima da Silva, secretária de Relações Internacionais da CNTE, durante a abertura do evento, falou sobre a importância do papel da Rede Brasil no controle e monitoramento dos investimentos que o governo faz em todo o Brasil, financiado pelas Instituições Financeiras Multilaterais (IFI’s). Fátima resumiu em poucas palavras o motivo da realização do seminário. Segundo ela, “Quem sabe mais, luta melhor”.
A Rede Brasil deu inicio à capacitação com uma dinâmica de grupo conhecida como ‘cochicho’. Durante a dinâmica foi dito, pelas participantes, qual a expectativa do seminário. Muitas delas disseram que gostariam de obter conhecimento sobre as IFI’s e multiplicar esse conhecimento em seus Estados. Outras queriam ampliar o debate a cerca da mercantilização da Educação e da questão de gênero.
Fabrina iniciou sua palestra “Instituições Multilaterais no Brasil” com uma frase de um general do corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, citado na revista The Economist. “Eu ajudei a ‘ajeitar’ Honduras para as empresas de frutas americanas em 1903. Ajudei a fazer o México ficar .... seguro para os interesses americanos no petróleo em 1914. Ajudei a transformar o Haiti e Cuba em um lugar decente para os rapazes do National City Bank auferirem receitas. Ajudei a estuprar uma meia-dúzias de repúblicas centro-americanas em benefício de Wall Street .... Ajudei a purificar Nicarágua para a casa bancária internacional Brown Brothers em 1909 -12. Eu trouxe luz à República Dominicana para os interesses açucareiros dos americanos em 1916. Na China, ajudei assegurar que a Standard Oil desenvolvesse suas atividades sem ser contrariada”. A secretária- executiva deu continuidade ao debate abordando historicamente o surgimento das IFI’s, a funcionalidade e operacionalidade destas instituições.
Após o debate, as participantes puderam expressar suas opiniões sobre as informações que receberam. Neiva Lazzarotto, do Rio Grande do Sul, disse ter acabado de adquirir elementos preciosos. “Acho que é uma farsa o desenvolvimento que estas IFI’s patrocinam. Na verdade eles patrocinam o desenvolvimento para elas mesmos, acumulando cada vez mais riqueza”, concluiu.
Neiva Lazzarotto expõe sua opinião sobre as IFI's
As trabalhadoras em Educação receberam várias publicações sobre as IFI’s, distribuída pela Rede Brasil, para que elas pudessem estudar e em seguida apresentar as conclusões tiradas. Para Rita de Cássia, de São Paulo, “o Brasil poderia por meio do BNDES adotar e implementar políticas públicas e práticas internas especiais, criando critérios para correção e prevenção de políticas públicas que favoreçam a sociedade”, disse.
Teresa Bilobian, de Curitiba, falou da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura da América do Sul (IIRSA). “É fictício esta Integração, pois destrói o meio ambiente e a sociedade envolvida em prol do bem das empresas financiadoras. Este assunto deveria ser mais debatido com entidades sindicais, universidades, frentes parlamentares, fóruns, e criar uma mobilização para discutir o que acontece, inserir um modelo de desenvolvimento econômico sustentável e não este modelo que aí está”.
No segundo dia, o tema abordado foi sobre os projetos financiados no Brasil pelo Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na área de Educação. Estela Scandola iniciou o debate abordando a questão do surgimento das políticas públicas. “Uma política pública é um pacto, um jogo de forças. Quando se pensa em oganismos multilaterais, se pensa em movimento de forças”, disse. Estela explicou ainda que as Instituições Financeiras Multilaterais emprestam dinheiro, mas impõe condições de regulamentação de políticas que favorecem as próprias Instituições.
Mulheres fazem dinâmica durante a capacitação
“A gente vê que as IFI’s não são criadas por pressão social, são criadas para o retorno de interesses próprios. Deveria haver alguma penalidade para os desvios que elas cometem”, afirmou Alcilene Silva, do Acre.
A pernambucana Marinalva Lorenso lançou um desafio a todas as mulheres presentes no evento. “Primeiro vamos aprender e depois vamos repassar todas essas informações. É preciso uma mobilização da sociedade civil, pois estas instituições não podem continuar mandando assim no capital”.
No final do evento, os grupos formados pelas mulheres analisaram os projetos selecionados pela Rede Brasil na área de Educação, e cada grupo apresentou sua visão sobre o projeto estudado. Os grupos chegaram a conclusão de que o Brasil tem uma dívida social em todos os campos e ao longo de sua existência tem deixado a educação de lado. Para elas, os governos deveriam desenvolver novos modelos para o ensino, pois falta capacitação, estrutura e gerenciamento. Deveriam utilizar melhor o dinheiro público para que não precisasse recorrer a tantos empréstimos.
“Foi bem esclarecedor o papel das IFI’s. Gostaria que esta temática fosse multiplicada para professores, alunos etc. As pessoas precisam adquirir o conhecimento para poderem resistir mais às políticas que nos são impostas”. Albaniza Barbosa Pessoa (RO)
“Achei de grande importância as informações sobre as organizações multilaterais. Eu, por ser militante sindical, já tinha alguns conhecimentos sobre os financiamentos externos e que eles geravam condicionalidades e dependências. Obtendo mais informações, tive certeza que são mecanismos de dominação concreta. É oportuno neste momento fazer a socialização das informações e relacionar o que está acontecendo em cada Estado com o que aprendemos aqui”. Neiva Lazzarotto (RS)

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