ONGs, comunidades indígenas e movimentos sociais estarão em Manaus no dia 12 de junho, para questionar frente aos governos federal e do Estado do Amazonas os impactos da Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA) para o desenvolvimento da região norte do país (Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Pará). Intitulado Oficina do Norte, o evento está relacionado ao Projeto “1ª Rodada de Consultas Estratégicas no Brasil”, e acontecerá na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas - FIEAM, com a presença do ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, e do governador do Estado do Amazonas, Eduardo Braga.
O tema do evento é a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA), coordenada pelos 12 países da região, e conta com o apoio técnico e financeiro de três Instituições Financeiras Multilaterais: O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o Fondo Financiero para el Desarrollo (Fonplata). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também tem destinados recursos para o financiamento de projetos integrantes da IIRSA. Estes grupos econômicos objetivam executar grandes obras nas áreas de transporte, energia e comunicações, integrando todos os países da América do Sul com o objetivo de superar os “obstáculos naturais” e tornar os países da região mais competitivos no mercado internacional.
A sociedade civil questiona os fundamentos das estratégias de integração regional, pois não contribuem para aproximar os povos da América do Sul. Ao contrário, ratificam a lógica histórica de utilizar a América do Sul como plataforma de exportação de produtos agrícolas e extrativistas, devastação ambiental, desrespeitos contra os povos tradicionais, principalmente indígenas, aumento da concentração da renda e queda de todos os níveis de vida para a maior parte das sociedades de nossos 12 países.
As organizações da sociedade civil reconhecem a necessidade da integração física sul-americana. Porém esta integração deve estar baseada na promoção dos direitos humanos, na eqüidade de gênero, raça, etnia e na justiça sócioambiental. O incentivo à construção de megaprojetos (ferrovias, hidrelétricas ) com altos custos deixa de lado o fato de que existem outras possibilidades de desenvolvimento da infra-estrutura sem prejuízos sócioambientais, como por exemplo, alternativas de geração de energia, reestruturação de redes ferroviárias já existentes.

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