Thais
Brianezi
Repórter da Agência Brasil
Manaus
- Os 12 países unidos na Iniciativa para Integração
da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (Iirsa) firmaram uma
carteira de grandes projetos para a Amazônia, mas esqueceram a
importância das pequenas ações locais. A crítica
– feita hoje (12) pelo representante da Comissão Econômica
para América Latina e Caribe (Cepal) da Organização
das Nações Unidas (ONU), Ricardo Sanchez – teve eco
na fala de outros estudiosos e líderes sociais que
participaram da consulta pública promovida pelo Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão.
"A
Iirsa tem projetos e ambições desconexas. A integração
entre dois oceanos [ Atlântico e Pacífico ] é
a meta maior. Mas ela deve passar pela interconexão local",
defendeu Sanchez, para quem é preciso "lembrar a lógica
da acupuntura, que valoriza as pequenas aplicações em
locais estratégicos".
O representante da Rede
Brasileira sobre Instituições Financeiras Multilaterais
e da Rede Brasileira para Integração dos Povos,
Guilherme Carvalho, afirmou que "a concentração de
recursos em partes do território não gera ondas
desenvolvimento, só aprofunda as desigualdades regionais".
Na opinião dele, "a Amazônia vai apenas sendo
consolidada no papel de corredor de exportação e de
fornecedora de produtos primários e energia".
A
geógrafa Bertha Becker também observou que os
documentos oficiais da Iirsa fazem poucas referências à
interiorização do desenvolvimento. "O mercado,
indiscutivelmente, é a tônica do programa. O objetivo é
integrar o Norte e o Centro-Oeste, visando ao oceano Pacífico.
Queremos nos aproximar do mercado chinês. Não é à
toa que o Nordeste ficou de fora", analisou.
Para ela, a
base da agenda de integração sul-americana deveria ser
a inclusão social com competitividade global pautada nas
riquezas naturais. "A água é o ouro azul do século
21. Vinte por cento das águas doces superficiais do mundo
estão na Amazônia. Essa é a nossa vantagem
competitiva", lembrou.
O secretário de Planejamento e
Investimentos Estratégicos do Ministério do
Planejamento, Ariel Pares, também coordenador nacional da
Iirsa, argumentou que "a região amazônica é
estratégica porque representa uma rota curta para os países
do Norte". E acrescentou que "no projeto, o sul e o norte
do Brasil deixam de ser as pontas do país para virar centros
da América Latina".
O projeto da Iirsa nasceu em
2000, como resultado da primeira reunião de presidentes
sul-americanos. Até 2010, há a previsão de se
investir US$ 5,2 bilhões em 31 projetos no continente, sendo
28 deles de transportes, dois de comunicações e um de
energia. A verba vem do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), da Corporação Andina de Fomento (CAF) e do Fondo
Financiero para el Desarrollo (Flonplata) .
12/06/2006

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