A
Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura Regional
Sul-americana (Iirsa) existe há seis anos, mas só nesta
segunda o governo federal promoveu a primeira reunião para
debater o modelo de desenvolvimento proposto pelo programa com a
academia, o setor produtivo e a sociedade civil organizada.
A
chamada Oficina Norte, organizada em Manaus pelo Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, encerra as reuniões
regionais da primeira rodada de consultas estratégicas
iniciadas em novembro do ano passado – os outros encontros se
realizaram no Rio de Janeiro (RJ), em Campo Grande (MS) e em Foz do
Iguaçu (PR).
"O formato já está pronto
– nem a sociedade nem os governos estaduais participaram da sua
elaboração", criticou o representante da Rede
Brasileira sobre Instituições Financeiras Multilaterais
e da Rede Brasileira para Integração dos Povos,
Guilherme Carvalho. "Os planejamentos estaduais se tornam
obsoletos porque as decisões das grandes obras já foram
tomadas", acrescentou.
A Iirsa é resultado da primeira
reunião de presidentes da América do Sul, realizada em
Brasília, em 2000. Coordenada pelos 12 países do
continente, é financiada pelo Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), pela Corporação Andina de
Fomento (CAF) e pelo Fondo Financiero para el Desarrollo
(Flonplata). A previsão, até 2010, é de
investimentos de US$ 5,2 bilhões em 28 projetos de
transportes, dois de comunicações e um de energia.
"A
integração física vem antes da econômica e
da cultural. Sem ela, as outras não fazem sentido",
defendeu o secretário de Planejamento e Investimentos
Estratégicos do Ministério do Planejamento, Ariel
Pares. "Nós já temos 1% dessas obras em execução.
Um exemplo é a BR-317 [ a chamada rodovia intercontinental,
que ligará o Acre ao Oceano Pacífico, via Peru e
Bolívia ]", lembrou Pares, que está na
coordenação nacional da Iirsa desde o início do
programa.
Os governos, sustentou, tinham necessidade de dialogar
reservadamente entre si, antes de abrir o debate à sociedade.
"As equipes técnicas representam governos legítimos
e democraticamente eleitos. A Iirsa não é uma relação
de obras, é um projeto de desenvolvimento", acrescentou.
Para a secretária estadual de Planejamento do Pará,
Marília Sanchez, entretanto, o Brasil carece de uma política
nacional de integração regional. "Não
temos, por exemplo, um Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. E
ele não sai porque não interessa ao Centro-Sul do
país", concordou Carvalho.
As considerações
feitas nessa rodada de consultas serão apresentadas na próxima
reunião da coordenação da Iirsa, prevista para o
dia 29, na Argentina.
Fonte: Agência Brasil

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