Comunidades
indígenas, representantes de movimentos sociais e de
organizações-não-governamentais (ONGs) reúnem-se
na segunda-feira (12), em Manaus, para discutir os impactos
ambientais do projeto de Integração da Infra-estrutura
Regional Sul-Americana na região Norte do país. Eles
vão participar Primeira Rodada de Consultas Estratégicas
da Região Norte e debater com o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, e com o governador do Amazonas, Eduardo Braga, uma
visão estratégica do projeto e medidas para o
desenvolvimento sustentável da região.
O objetivo do
projeto é intensificar a ligação entre os 12
países do continente sul-americao. Estão sendo
analisadas 31 propostas de infra-estrutura, transporte terrestre,
aéreo e hidroviário, além de projetos de
compartilhamento nas áreas de energia e de telecomunicações.
Em Manaus, estão previstas obras de infra-estrutura, como a
construção de barragens. Para o representante da ONG
Rede Brasil, Guilherme Carvalho, que participará do encontro,
deveria haver um tempo maior para os debates. "São temas
tão relevantes que deveríamos ter um processo de
discussão bem mais amplo e com mais tempo para que a gente
pudesse tirar algumas conclusões".
Segundo ele, a
forma como os estudos de impacto ambientais na Amazônia são
feitos não permite a apuraração de todos os
problemas decorrentes desse empreendimento. "Os estudos de
impacto ambiental hoje são localizados, não temos uma
visão ampla deles, somente da área diretamente
afetada", ponderou. "Além disso, a própria
lógica dos empreendimentos está voltada para garantir a
incorporação de vastas áreas da Amazônia".
O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens Wesley
Ferreira Lopes disse que é preciso discutir e questionar
possíveis problemas que essas construções
poderão trazer. "No passado, algumas empresas que queriam
construir barragens prometeram terras para famílias que foram
retiradas de suas casas, mas não cumpriram o trato".

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