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Cadê o Banco do Sul?

作者:Rede Brasil 上次修改时间: 2010-03-02 13:24

"É nosso banco, para trazer de volta nossas reservas que estão no Norte, para que possamos emprestar entre nós", afirmou o anfitrião Hugo Chávez, na reunião de Isla Margarita em setembro de 2009. Naquela ocasião, o Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e a própria Venezuela oficializaram a criação do Banco do Sul, com um capital inicial de US$ 20 bilhões. No entanto, de lá pra cá quase nada foi feito para tirar do papel a idéia da criação de um banco multilateral contra hegemônico entre os países da América do Sul e fechar a sangria de divisas rumo ao Norte.

 

O Equador é o único país que parece ainda estar, de fato, comprometido com esta proposta e mantém uma postura ativa. Este país andino tem na integração financeira aliada à integração produtiva entre as economias do continente, o único caminho político viável para escapar das amarras impostas pela dolarização de sua economia dependente de importações. Percebendo, no entanto, a má vontade de seus vizinhos mais fortes para lhe dar com o assunto, o governo equatoriano vem trabalhando silenciosamente para construir um projeto para o Banco do Sul, o primeiro pilar da nova arquitetura financeira regional.

 

Ao longo dos últimos dois anos, técnicos do governo do Equador trabalham na formulação de propostas de linhas de fomento e desenvolvimento dos setores alimentício, de saúde e de recursos naturais e energéticos, sob a forma de eixos potenciais de atuação para o Banco do Sul, mas não como projetos concretos ainda. Também trabalham para viabilizar uma iniciativa específica e imediata, orientada para a produção, de forma integrada e complementar entre os países da região, de remédios genéricos, que não dependeria da entrada em funcionamento do Banco do Sul, mas que poderia funcionar como um projeto piloto operando a partir de um fundo fiduciário especial.

 

Tudo isso, entretanto, pode resultar em nada, caso os impasses relacionados à criação efetiva do Banco do Sul não forem solucionados. O Brasil, nadando de braçada com suas reservas internacionais e com o BNDES, é um dos que resistem à criação de um banco regional no qual os países sócios teriam direitos mais equilibrados de votos, não importando o tamanho da população ou da economia. Enquanto isso, neste mesmo período desde a oficialização da criação do Banco do Sul, já doamos, sozinhos, US$ 10 bilhões ao FMI e agora o governo acena com mais US$ 10 bilhões ao BID, banco interamericano com sede em Washington. Pelo jeito, a nova arquitetura financeira e os povos da América Latina continuam longe de se tornarem prioridade para o governo brasileiro.