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Governo brasileiro quer dar US$ 10 bilhões ao BID

作者:Rede Brasil 上次修改时间: 2010-03-02 13:25

Após perder US$ 2 bilhões especulando deliberadamente com dinheiro público no auge da crise econômica, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) trabalha para convencer os países da região sobre a necessidade de sua própria recapitalização. Se der certo, a estratégia poderá culminar com a transferência de US$ 100 bilhões para os cofres do BID durante a sua assembléia de governadores, prevista para acontecer na cidade mexicana de Cancun, na segunda quinzena de março.

Em janeiro, o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou a intenção do Brasil de doar, sozinho, US$ 10,7 bilhões ao BID, valor proporcional ao capital que o País tem hoje no banco. Bernardo não apontou de onde sairão os recursos, se do orçamento da União ou das reservas internacionais (de onde saíram os recursos para a doação de outros US$ 10 bilhões ao FMI em janeiro deste ano).

Em 2009, o BID bateu recorde de desembolsos no Brasil. Foram ao todo US$ 7,6 bilhões num total de 74 projetos em execução em todo o País, tendo sido 31 destes aprovados apenas no ano passado. Atualmente, o principal destino dos recursos do BID são os estados e municípios (41% e 20%, respectivamente), seguidos pelo setor privado (22%) e pelo governo federal (17%). Eles estão concentrados essencialmente na região Sudeste (42%) e Nordeste (22%).

A lista de contradições do BID é extensa. Em pleno marco das discussões sobre o aquecimento global, o banco se comprometeu a financiar duas usinas térmicas, uma no Maranhão (US$ 50 milhões) e a de Pecém (US$ 147 milhões), no Ceará. Relatos sobre a falta de transparência e a ausência de diálogo com as populações atingidas pelos seus projetos são recorrentes em seus programas, como no Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur) e no Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

A proposta inicial de recapitalização do BID era ainda mais ambiciosa: o banco esperava angariar US$ 180 bilhões com essa “passada de chapéu”, mas diminuiu suas expectativas diante da chiadeira dos países e ao perceber que nem o próprio Banco Mundial, recapitalizado no ano passado, recebeu tantos recursos.

Não faltam motivos para duvidar das intenções do BID. Cabe ao governo brasileiro justificar a necessidade de transferir tão volumosos e importantes recursos para uma instituição marcada por contradições quando a população brasileira ainda sofre de todo tipo de privação.