Mergulhado em reformas, Banco Mundial se capitaliza
O processo de capitalização do Banco Mundial - o primeiro em 20 anos – foi o tema central da reunião de primavera deste ano, que aconteceu em Washington. O aporte de capital aprovado para o Banco Mundial foi de US$ 5,1 bilhões e, com os valores anunciados, a capacidade de empréstimos da instituição subiu para US$ 86 bilhões. Com a medida aprovada pelos 186 países que integram o BIRD, o poder de voto das nações em desenvolvimento subiu para 47,19% e a participação do Brasil passou de 2,06% para 2,24%.
O Banco espera assim ter melhores condições para continuar implementando sua estratégia de recuperação da crise. O interessante, entretanto, é que buscando se legitimar para receber esses recursos o Banco adotou em seu discurso oficial a necessidade da sua própria democratização como meio de se ajustar à nova geopolítica global, onde os emergentes têm, de fato, mais força política ou pelo menos mais dinheiro, já que foram menos atingidos por esta crise que veio do Norte. Assim, podemos dizer que hoje o Banco Mundial é uma “instituição em reforma”: reforma da sua governança, reforma da sua política de salvaguardas, reforma da sua política energética e até mesmo da sua política de educação. Claro que tudo com a intenção de se legitimar e receber tanto os recursos para a saída da crise como também os volumosos recursos que estão sendo negociados para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Os debates sobre o clima ainda continuam no centro das negociações. O Banco Mundial já é um dos principais gestores de fundos para a adaptação e a mitigação das mudanças climáticas e está fazendo um esforço para assumir o controle das principais iniciativas de criação de novos fundos. Por outro lado, continua sendo ainda um dos principais financiadores de projetos causadores de danos ambientais e de fontes de energia altamente poluidoras como as usinas a carvão. Um caso que repercutiu recentemente dentro do Banco foi justamente o da recente implantação de uma usina a carvão na África do Sul financiada pelo Banco Mundial. Quando questionado sobre esse fato, o presidente do Banco, Robert Zoelick, se justificou dizendo que a instituição está empenhada em encontrar soluções para o aquecimento global, mas não pode negar o direito da África do Sul a se desenvolver (leia-se, gerar energia para o crescimento da sua economia), principalmente quando o país dele, os Estados Unidos, tem uma matriz energética com mais de 50% de energia do mesmo tipo. Desse modo, o Banco Mundial resume a sua visão e pretensa atuação sobre o problema.